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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Não há cá grupos

Nunca fui elitista. Nunca gostei de pertencer a grupos. Nem nunca concordei com a expressão "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és". Eu não tenho de ser obrigatoriamente as pessoas de quem gosto. E gosto de muitas pessoas diferentes umas das outras, e diferentes de mim. Nunca achei que por gostar dos amarelos não podia gostar dos roxos. Até porque nem sempre gosto das pessoas no seu todo. Por vezes, apenas gosto de partes. Partes dos amarelos e partes dos roxos. E gostar das pessoas nunca me impediu de também encontrar nelas aquilo de que não gosto. Por isso, não gosto que me metam em grupos. Gosto de ser livre para gostar de um bocadinho aqui e de outro acolá, e defender essencialmente atitudes, não pessoas.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

(Reposting) Quase

Muitas vezes penso nas coisas que quase fiz, nas palavras que quase disse, nos lugares onde quase cheguei, nas pessoas que quase conheci, nos desejos que quase realizei, nos momentos que quase vivi.
Não penso nelas como uma perda, na verdade, nunca cheguei a tê-las. Estive perto. Estive quase.
Nunca ninguém me disse que não as podia ter. Nunca ninguém me disse que não as merecia. Apenas me desencontrei de umas e cheguei tarde a outras.
Consigo lidar bem com as perdas definitivas. Sou Escorpião e, tal como dizem os astros, morro e renasço facilmente. Supero o que não é possível. Esqueço o que não está ao meu alcance.
Um não doi, magoa, fere... mas liberta-me e faz-me querer virar a página. Consegue ter em mim um poder regenerador que me faz querer seguir em frente, mesmo que noutra direcção.
Já o talvez desafia-me, atiça-me, motiva-me. Saber que talvez possa ir por ali, ou por acolá... saber que talvez possa chegar onde quero, que talvez possa ser, sentir, viver o que desejo, deixa-me inquieta, ansiosa e desperta em mim uma teimosia sem limites.
O talvez incomoda, enerva, fervilha, mas tem um gosto doce de possibilidade, que só perderá ao transformar-se num não.
Mas o quase deixa uma sensação de vazio. Vazio de algo que esteve próximo mas não chegou a estar.
É um talvez que deixou de o ser, mas que nunca chegou a ser não. É um livro que perdi, sem ter acabado de ler.
Dizer que se esteve "quase a" poderá parecer reconfortante. Afinal, significa que tentámos, que fizemos alguma coisa e que quase conseguimos. Não foi uma derrota imediata. Tivemos possibilidade e estivemos quase lá.
Quase... mas não chegámos a estar.
Não gosto dos quase que existem na minha vida. Não me libertam. Não me reconfortam. Pelo contrário, transformam tudo o que esteve quase... em quase nada. 

(Julho/2007)

Quatro anos depois, parece-me que consegui aprender a procurar atalhos que me levem directamente ao sim ou ao não. Os quases são uma perda de tempo. E eu já não me permito perder o meu. 

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Como da água para o vinho

Se eu quisesse entrar em generalizações e dizer que as pessoas não mudam, nem com o tempo, nem com a idade ou nem com as experiências que vão vivendo, se eu dissesse que apenas se moldam e adaptam às circunstâncias, mantendo sempre a sua essência, personalidade e princípios, teria de ignorar a mão cheia de coisas que, há meia dúzia de anos, seria capaz de fazer com a maior das convicções e que, hoje em dia, me parecem completamente inconcebíveis, ou vice-versa. Teria também de ignorar todas as coisas a que dava um enorme valor e que hoje não me parecem fazer qualquer sentido. E todas as opiniões, gostos, vontades, acções e reacções que faziam parte da minha forma de ser ou estar, forma essa que hoje nem sempre reconheço. Ou então, teria de ter a pretensão de achar que sou diferente de todos os outros. E não tenho. Não sou. Por isso digo que as pessoas mudam, sim. Algumas mudam até de uma forma brutal. Só não acontece é com todas.