Não gosto de
pessoas que se gabam de ajudar os outros, sejam pequenas ou grandes ajudas. Não
gosto quando leio que a personalidade X anda a gritar ao mundo que doou não sei
quantos milhões para ajudar esta ou aquela instituição. Só o facto de gritar ao
mundo que o fez já me faz torcer o nariz. A causa pode ser muito boa, a ajuda
pode ter sido enorme, mas a publicidade não me agrada. A verdadeira ajuda é
desinteressada. Ajuda-se porque se quer, porque se faz questão disso, porque se
pode e, principalmente, pelo prazer que proporciona a quem o faz. Ajudar para
se ficar bem na fotografia é feio. Ajudar para se andar a cobrar a ajuda, é
mais feio ainda. É como um amigo ajudar o outro e depois andar a gabar-se junto
dos restantes que o fez. Ou pior ainda, andar a atirar-lhe à cara a ajuda que
lhe deu. É feio, e só fica mal a quem o faz. Para mim, a ajuda ideal seria
sempre a anónima, sem nome e sem rosto.
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
terça-feira, 11 de junho de 2013
Estou de volta e fresquinha que nem uma alface.
Tinha preparado um post todo pomposo, cheio de
dissertações e desabafos sobre o assunto
em questão. Achei que iria querer gritar e extravasar tudo o que estava aqui
engasgado há vários anos quando este dia chegasse. Mas não, não me apetece.
Andei afastada deste blog nos últimos tempos porque a minha cabeça andava demasiado
ocupada com o assunto, e agora só me apetece desocupa-la o mais rapidamente
possível. Por isso, vou dizer assim muito depressa o que aconteceu e, antes que
me venham dizer coisas como “opá, que desgraça, que chatice, que drama, e o
país está tão mau, e agora o que vais fazer?” e etc, deixo já bem claro que esta foi a melhor
decisão que já tomei em toda a minha vida, que me sinto como se me tivessem
tirado um peso do tamanho do mundo de cima dos ombros, que está tudo bem, está tudo óptimo, e que só não fui
festejar e beber uns copos à pala disto hoje, porque amanhã é noite de Santos
Populares e vou ter oportunidade de o fazer com o meu pessoal. Por isso, e porque quero despachar isto rapidamente,
aqui vai: hoje despedi-me, larguei o emprego que tinha há quase nove anos.
E pronto, já disse, está dito. Assunto encerrado. Siga. Next!
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Ana
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terça-feira, 16 de abril de 2013
Estou aqui com uma comichão...
Não é "não tem nada a haver com", é "não tem nada a ver com".
Não é "estives-te, dormis-te", é "estiveste, dormiste".
(... e quando tenho comichão tenho de coçar, pronto.)
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Ana
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terça-feira, 2 de abril de 2013
Ou então ando a ver muitas séries
Sonhei que tinha assassinado um homem em casa. Mas uma coisa assim mesmo à psicopata, à bruta, com muita facada e olhos arrancados. Depois abri um buraco na parede, enfiei para lá o corpo, e voltei a tapar tudo com cimento. Entretanto, dei uma alta festa, muita gente, muita música e, a determinada altura, quando olho para a tal parede, o sangue começava a escorrer. Fui buscar uma mangueira para lavar aquilo sem que ninguém visse, mas o sangue era cada vez mais. No meio daquele desespero todo, acordei.
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Ana
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segunda-feira, 1 de abril de 2013
Curiosidade
Qual seria a mentira que eu vos podia pregar sobre mim e na qual vocês nunca acreditariam?
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Ana
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domingo, 31 de março de 2013
Quem não chora, não mama
O pessoal adora um bom drama. Muita choradeira, muita auto-comiseração, muitas noites de insónia, muito "ai que eu estou a sofrer", muita chamada de atenção, enfim, muito drama. Se não fazes dramas, não és levado a sério. Se dormes bem todas as noites, és um alienado, um insensível, alguém que não quer saber de nada. E o pessoal gosta é de partilhar dores, desgostos, dúvidas, o pessoal gosta de achar que pode salvar alguém e que alguém o vai salvar no meio de tanta choradeira. Se não tens um drama para partilhar não fazes parte do clã, não entendes a dor dos outros, não sabes o que é isso. És um está-se bem, e os está-se bem estão sempre bem, não passa daquilo, não têm coisas sérias na vida, não sentem, não se chateiam.
E quando dizes que te recusas a fazer dramas, porque já não tens paciência para dramas, porque achas que a vida é muita curta e muita coisa acontece enquanto perdes tempo a consumir-te em dramas, acenam-te com a cabeça e dizem-te "sim, senhora", mas continuam a olhar-te como alguém que já não faz parte dos comuns mortais. Porque quem não chora, não grita, não cobra, é porque não sente, não faz parte do tal clã a ser salvo. Muitas vezes, falta perceber que não fazer drama não significa necessariamente não sentir com a mesma intensidade, pode significar apenas que se escolhe não ir por aí, pela chamada de atenção, pela entrega à auto-comiseração, pelo querer partilhar dores e entrar nesse jogo do "quem salva quem primeiro".
Há quem não esteja disposto a isso, há quem prefira ficar quieto no seu canto e saltar logo essa parte. Mas disso o pessoal não gosta, porque isso não emociona ninguém, não apela à sensibilidade, não dá luta. O pessoal gosta é de sangue, de discussão, de tristezas, do "ora queixas-te tu ora queixo-me eu", e depois carregar com os dramas uns dos outros e chorar todos juntos.
Se não te queixas, se não gritas, se não bates o pé, é porque não sentes. E se o pessoal acha que não sentes, nem questiona.
Se não te queixas, se não gritas, se não bates o pé, é porque não sentes. E se o pessoal acha que não sentes, nem questiona.
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Ana
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quinta-feira, 28 de março de 2013
Embriaguez
Sabem aquele pessoal que quando bebe uns copos valentes, desata a disparar tudo o que lhe vem à cabeça, sem qualquer filtro, sem qualquer noção de inconveniência, sem pensar onde está, com quem está e quem vai atingir? Por vezes, precisava de conseguir chegar a esse estado. Precisava dessa embriaguez que me fizesse perder as estribeiras e começar a falar tudo o que me apetece, como fazem os maluquinhos. Mas não. Se bebo um bocadinho fico alegre, rio-me de tudo e de todos, brinco, fico atrevida e, no máximo, digo umas quantas baboseiras que não chateiam ninguém. Se beber um bocado mais da conta, fico logo maldiposta e a festa acaba ali. Precisava daquela fase intermédia, precisava que o meu estado de embriaguez avançasse um bocadinho mais até ao ponto de nem querer saber, nem estar aí para as consequências, abrir a boca e levar tudo à frente, mesmo que depois caísse redonda no chão e no dia seguinte tivesse de andar a apanhar os cacos. Precisava de lavar a alma, desengasgar as porcarias acumuladas durante anos, desatar ao soco e ao pontapé, atirar cadeiras pelo ar e bater portas. Precisava de ter mau vinho. Mas não. Limito-me a ir brincando pela vida, rindo, ironizando, soltando uma laracha aqui ou ali, mas sempre muito controlada. Ou então, quando a coisa é mais pesada, meto rapidamente os dedos à boca e resolvo o problema. E no dia seguinte, não há cadeiras partidas nem copos pelo chão, só uma leve dor de cabeça. E isso, às vezes, é o que me lixa.
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Ana
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sexta-feira, 8 de março de 2013
Mais um dia para os enjoadinhos de serviço
Não gostam do Natal, não gostam do Carnaval, não gostam do Halloween, não gostam do S. Valentim. O Dia do Pai, o Dia da Mãe, o Dia da Criança e o Dia da Mulher, claro, já sabemos que é todos os dias e, como tal, não faz sentido festeja-los. Depois também há os que nem do próprio dia de aniversário gostam porque ficam deprimidos só de pensar que um dia nasceram.
E é nestas alturas que eu fico bastante aliviada por ter amigos à minha volta que gostam de festejar tudo e mais alguma coisa, e tudo serve de pretexto para uma jantarada e uma noite de copos.
Caramba pá, descompliquem as coisas! Vocês são uma seca.
Caramba pá, descompliquem as coisas! Vocês são uma seca.
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Ana
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