terça-feira, 16 de abril de 2013

Estou aqui com uma comichão...

Não é "não tem nada a haver com", é "não tem nada a ver com".

Não é "estives-te, dormis-te", é "estiveste, dormiste".

(... e quando tenho comichão tenho de coçar, pronto.)

terça-feira, 2 de abril de 2013

Ou então ando a ver muitas séries

Sonhei que tinha assassinado um homem em casa. Mas uma coisa assim mesmo à psicopata, à bruta, com muita facada e olhos arrancados. Depois abri um buraco na parede, enfiei para lá o corpo, e voltei a tapar tudo com cimento. Entretanto, dei uma alta festa, muita gente, muita música e, a determinada altura, quando olho para a tal parede, o sangue começava a escorrer. Fui buscar uma mangueira para lavar aquilo sem que ninguém visse, mas o sangue era cada vez mais. No meio daquele desespero todo, acordei. 

É a segunda vez, no espaço de uma semana, que sonho com isto. Alguém que me explique.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Curiosidade

Qual seria a mentira que eu vos podia pregar sobre mim e na qual vocês nunca acreditariam?

domingo, 31 de março de 2013

Quem não chora, não mama

O pessoal adora um bom drama. Muita choradeira, muita auto-comiseração, muitas noites de insónia, muito "ai que eu estou a sofrer", muita chamada de atenção, enfim, muito drama. Se não fazes dramas, não és levado a sério. Se dormes bem todas as noites, és um alienado, um insensível, alguém que não quer saber de nada. E o pessoal gosta é de partilhar dores, desgostos, dúvidas, o pessoal gosta de achar que pode salvar alguém e que alguém o vai salvar no meio de tanta choradeira. Se não tens um drama para partilhar não fazes parte do clã, não entendes a dor dos outros, não sabes o que é isso. És um está-se bem, e os está-se bem estão sempre bem, não passa daquilo, não têm coisas sérias na vida, não sentem, não se chateiam. 

E quando dizes que te recusas a fazer dramas, porque já não tens paciência para dramas, porque achas que a vida é muita curta e muita coisa acontece enquanto perdes tempo a consumir-te em dramas, acenam-te com a cabeça e dizem-te "sim, senhora", mas continuam a olhar-te como alguém que já não faz parte dos comuns mortais. Porque quem não chora, não grita, não cobra, é porque não sente, não faz parte do tal clã a ser salvo. Muitas vezes, falta perceber que não fazer drama não significa necessariamente não sentir com a mesma intensidade, pode significar apenas que se escolhe não ir por aí, pela chamada de atenção, pela entrega à auto-comiseração, pelo querer partilhar dores e entrar nesse jogo do "quem salva quem primeiro". 

Há quem não esteja disposto a isso, há quem prefira ficar quieto no seu canto e saltar logo essa parte. Mas disso o pessoal não gosta, porque isso não emociona ninguém, não apela à sensibilidade, não dá luta. O pessoal gosta é de sangue, de discussão, de tristezas, do "ora queixas-te tu ora queixo-me eu", e depois carregar com os dramas uns dos outros e chorar todos juntos.

Se não te queixas, se não gritas, se não bates o pé, é porque não sentes. E se o pessoal acha que não sentes, nem questiona.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Embriaguez

Sabem aquele pessoal que quando bebe uns copos valentes, desata a disparar tudo o que lhe vem à cabeça, sem qualquer filtro, sem qualquer noção de inconveniência, sem pensar onde está, com quem está e quem vai atingir? Por vezes, precisava de conseguir chegar a esse estado. Precisava dessa embriaguez que me fizesse perder as estribeiras e começar a falar tudo o que me apetece, como fazem os maluquinhos. Mas não. Se bebo um bocadinho fico alegre, rio-me de tudo e de todos, brinco, fico atrevida e, no máximo, digo umas quantas baboseiras que não chateiam ninguém. Se beber um bocado mais da conta, fico logo maldiposta e a festa acaba ali. Precisava daquela fase intermédia, precisava que o meu estado de embriaguez avançasse um bocadinho mais até ao ponto de nem querer saber, nem estar aí para as consequências, abrir a boca e levar tudo à frente, mesmo que depois caísse redonda no chão e no dia seguinte tivesse de andar a apanhar os cacos. Precisava de lavar a alma, desengasgar as porcarias acumuladas durante anos, desatar ao soco e ao pontapé, atirar cadeiras pelo ar e bater portas. Precisava de ter mau vinho. Mas não. Limito-me a ir brincando pela vida, rindo, ironizando, soltando uma laracha aqui ou ali, mas sempre muito controlada. Ou então, quando a coisa é mais pesada, meto rapidamente os dedos à boca e resolvo o problema. E no dia seguinte, não há cadeiras partidas nem copos pelo chão, só uma leve dor de cabeça. E isso, às vezes, é o que me lixa.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Mais um dia para os enjoadinhos de serviço

Não gostam do Natal, não gostam do Carnaval, não gostam do Halloween, não gostam do S. Valentim. O Dia do Pai, o Dia da Mãe, o Dia da Criança e o Dia da Mulher, claro, já sabemos que é todos os dias e, como tal, não faz sentido festeja-los. Depois também há os que nem do próprio dia de aniversário gostam porque ficam deprimidos só de pensar que um dia nasceram.

E é nestas alturas que eu fico bastante aliviada por ter amigos à minha volta que gostam de festejar tudo e mais alguma coisa, e tudo serve de pretexto para uma jantarada e uma noite de copos.

Caramba pá, descompliquem as coisas!  Vocês são uma seca.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Baloiço de jardim

Sabes, tu sempre foste o homem da minha vida. Não foste só Pai, foste Mãe, foste amigo, foste o meu pilar de todas as horas. E três dias depois acho que ainda não acordei, ainda não caí em mim. Por vezes, por momentos, acho que ainda te vou voltar a ver sentado no teu sofá a elogiar as moças bonitas que aparecem na televisão. Ou então, frente ao espelho, a ajeitar o fato e a gravata, e a perguntar dezenas de vezes "estou bem assim?". É esta a imagem que quero guardar de ti, sempre vaidoso, com as tuas graçolas, e a tua energia quase inesgotável. Quase. Não tive tempo de me preparar para isto, se é que isso seria possível. Não me consegui despedir de ti. Sabes, eu sempre tive a mania que sou crescida e forte mas, neste momento, sinto-me como aquela menina pequenina que levavas pela mão para andar de baloiço no jardim. Nunca foste um homem de dramas, e contigo aprendi a olhar para a frente, nunca para trás. A vida continua, não é? Amanha, sei que vou ter de largar a tua mão e voltar a ser crescida, com a mania que sou forte e que nada me derruba. E vou conseguir, porque sei que, de algum forma, daí onde estás, vais continuar a dizer "não tenhas medo que não te deixo cair".

Mas isso será só amanha. Hoje preciso de ficar mais um bocadinho neste baloiço.