domingo, 31 de março de 2013

Quem não chora, não mama

O pessoal adora um bom drama. Muita choradeira, muita auto-comiseração, muitas noites de insónia, muito "ai que eu estou a sofrer", muita chamada de atenção, enfim, muito drama. Se não fazes dramas, não és levado a sério. Se dormes bem todas as noites, és um alienado, um insensível, alguém que não quer saber de nada. E o pessoal gosta é de partilhar dores, desgostos, dúvidas, o pessoal gosta de achar que pode salvar alguém e que alguém o vai salvar no meio de tanta choradeira. Se não tens um drama para partilhar não fazes parte do clã, não entendes a dor dos outros, não sabes o que é isso. És um está-se bem, e os está-se bem estão sempre bem, não passa daquilo, não têm coisas sérias na vida, não sentem, não se chateiam. 

E quando dizes que te recusas a fazer dramas, porque já não tens paciência para dramas, porque achas que a vida é muita curta e muita coisa acontece enquanto perdes tempo a consumir-te em dramas, acenam-te com a cabeça e dizem-te "sim, senhora", mas continuam a olhar-te como alguém que já não faz parte dos comuns mortais. Porque quem não chora, não grita, não cobra, é porque não sente, não faz parte do tal clã a ser salvo. Muitas vezes, falta perceber que não fazer drama não significa necessariamente não sentir com a mesma intensidade, pode significar apenas que se escolhe não ir por aí, pela chamada de atenção, pela entrega à auto-comiseração, pelo querer partilhar dores e entrar nesse jogo do "quem salva quem primeiro". 

Há quem não esteja disposto a isso, há quem prefira ficar quieto no seu canto e saltar logo essa parte. Mas disso o pessoal não gosta, porque isso não emociona ninguém, não apela à sensibilidade, não dá luta. O pessoal gosta é de sangue, de discussão, de tristezas, do "ora queixas-te tu ora queixo-me eu", e depois carregar com os dramas uns dos outros e chorar todos juntos.

Se não te queixas, se não gritas, se não bates o pé, é porque não sentes. E se o pessoal acha que não sentes, nem questiona.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Embriaguez

Sabem aquele pessoal que quando bebe uns copos valentes, desata a disparar tudo o que lhe vem à cabeça, sem qualquer filtro, sem qualquer noção de inconveniência, sem pensar onde está, com quem está e quem vai atingir? Por vezes, precisava de conseguir chegar a esse estado. Precisava dessa embriaguez que me fizesse perder as estribeiras e começar a falar tudo o que me apetece, como fazem os maluquinhos. Mas não. Se bebo um bocadinho fico alegre, rio-me de tudo e de todos, brinco, fico atrevida e, no máximo, digo umas quantas baboseiras que não chateiam ninguém. Se beber um bocado mais da conta, fico logo maldiposta e a festa acaba ali. Precisava daquela fase intermédia, precisava que o meu estado de embriaguez avançasse um bocadinho mais até ao ponto de nem querer saber, nem estar aí para as consequências, abrir a boca e levar tudo à frente, mesmo que depois caísse redonda no chão e no dia seguinte tivesse de andar a apanhar os cacos. Precisava de lavar a alma, desengasgar as porcarias acumuladas durante anos, desatar ao soco e ao pontapé, atirar cadeiras pelo ar e bater portas. Precisava de ter mau vinho. Mas não. Limito-me a ir brincando pela vida, rindo, ironizando, soltando uma laracha aqui ou ali, mas sempre muito controlada. Ou então, quando a coisa é mais pesada, meto rapidamente os dedos à boca e resolvo o problema. E no dia seguinte, não há cadeiras partidas nem copos pelo chão, só uma leve dor de cabeça. E isso, às vezes, é o que me lixa.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Mais um dia para os enjoadinhos de serviço

Não gostam do Natal, não gostam do Carnaval, não gostam do Halloween, não gostam do S. Valentim. O Dia do Pai, o Dia da Mãe, o Dia da Criança e o Dia da Mulher, claro, já sabemos que é todos os dias e, como tal, não faz sentido festeja-los. Depois também há os que nem do próprio dia de aniversário gostam porque ficam deprimidos só de pensar que um dia nasceram.

E é nestas alturas que eu fico bastante aliviada por ter amigos à minha volta que gostam de festejar tudo e mais alguma coisa, e tudo serve de pretexto para uma jantarada e uma noite de copos.

Caramba pá, descompliquem as coisas!  Vocês são uma seca.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Baloiço de jardim

Sabes, tu sempre foste o homem da minha vida. Não foste só Pai, foste Mãe, foste amigo, foste o meu pilar de todas as horas. E três dias depois acho que ainda não acordei, ainda não caí em mim. Por vezes, por momentos, acho que ainda te vou voltar a ver sentado no teu sofá a elogiar as moças bonitas que aparecem na televisão. Ou então, frente ao espelho, a ajeitar o fato e a gravata, e a perguntar dezenas de vezes "estou bem assim?". É esta a imagem que quero guardar de ti, sempre vaidoso, com as tuas graçolas, e a tua energia quase inesgotável. Quase. Não tive tempo de me preparar para isto, se é que isso seria possível. Não me consegui despedir de ti. Sabes, eu sempre tive a mania que sou crescida e forte mas, neste momento, sinto-me como aquela menina pequenina que levavas pela mão para andar de baloiço no jardim. Nunca foste um homem de dramas, e contigo aprendi a olhar para a frente, nunca para trás. A vida continua, não é? Amanha, sei que vou ter de largar a tua mão e voltar a ser crescida, com a mania que sou forte e que nada me derruba. E vou conseguir, porque sei que, de algum forma, daí onde estás, vais continuar a dizer "não tenhas medo que não te deixo cair".

Mas isso será só amanha. Hoje preciso de ficar mais um bocadinho neste baloiço.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Valentine Mix

Hoje deixo aqui um beijo enorme a todos os meus ex-namorados, aos que não foram e podiam ter sido, aos que foram e não deviam ter sido, aos que eu quis e não quiseram, aos que quiseram e eu não quis, aos que ficaram em banho-maria, aos que às vezes são e outras não, aos que têm potencial para ser mas deixa lá ver, e aos que ainda estão para vir.

Vocês bateram/batem/baterão forte cá dentro!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Quem conta, a vida (re)encontra

Passamos uma vida inteira a encontrar e a desencontrar pessoas. É normal, e muitas vezes inevitável que, a determinada altura, e por qualquer motivo, as pessoas se separem, percam o contacto, deixem de se ver, de estar juntas, de fazer parte do mundo umas das outras. E se algumas há que pouco acrescentaram aos nossos dias, ou apenas passaram por eles como meras peças do cenário e, como tal,  nem pensamos nelas,  outras ficam guardadas naquele cantinho especial das nossas lembranças que nos fazem sorrir e sentir saudades de outros tempos. Pode ser aquela melhor amiga dos tempos de escola, ou aquela paixão que nos fazia suspirar entre uma aula e outra, ou aquele grupo de amigos com quem partilhámos muitos e bons momentos. Ou talvez nem precisemos de ir tão atrás no tempo, e podem ser apenas aquelas pessoas com quem nos cruzámos num passado recente e que, marcando a diferença, nos deixam aquele sensação de “saber a pouco”.

Quando penso nisto, e nas pessoas que, de alguma forma, foram importantes para mim, não posso deixar de me considerar uma sortuda, já que a vida me tem dado a oportunidade de as reencontrar todas, mais cedo ou mais tarde. Poucas, ou talvez nenhumas, são as pessoas que me foram especiais e de quem nada sei actualmente. É aquela melhor amiga dos tempos de escola, é aquela paixão que me fazia suspirar entre uma aula e outra, é aquele grupo de amigos com quem partilhei muitos e bons momentos. Todos estão aí, à distância de um telefonema. Há quem diga que nada acontece por acaso, que o tempo e a distância só afasta definitivamente quem não pesa na nossa história, que os desencontros apenas servem para percebermos a importância dos outros e que, no final, de uma forma ou de outra, a vida lá dá um jeitinho de nos trazer de volta quem conta.

Não sei se sou tão fatalista assim, se acredito que isto está tudo programado como alguns dizem, se essa coisa de destino existe ou serve apenas para vender livros, mas a verdade é que encontro sempre algum conforto na constatação de que só me perdi definitivamente de quem não interessou para a minha história. Talvez por isso não tenha assim tanto medo de perder pessoas, de me desencontrar delas, de as perder de vista. No fundo, acho sempre que a vida dá lá as suas voltas, mas sempre nos leva de volta aos lugares certos. E quem diz lugares, diz pessoas.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

E como foi o Carnaval?

Foi muito fixe. Mascarei-me de Minnie e passei a noite a ouvir "ah que rata tão sexy!".