quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Tenho mesmo de dizer

Vão-me dizer que não tenho nada a ver com isso, que cada um publica o que quer e que eu tenho bom remédio. É verdade, sim senhora. Têm toda a razão, e eu responderia o mesmo a qualquer um. Ando aqui há quase sete anos e sempre evitei meter-me com os outros. Cada um sabe de si e do seu blog. Mas eu ando cansada, stressada,  irritada com a falta de férias, e também tenho direito aos meus momentos de mau feitio. E hoje, depois destes anos todos, e de muitos posts vistos e lidos, a única coisa que me apetece dizer é:

Estou farta de ver pés! Já não aguento ver tantos pés! Que raio de panca é essa com os vossos pés?

terça-feira, 31 de julho de 2012

É p'ra frente que atrás vem gente

Na quarta-feira passada dei um daqueles trambolhões épicos. Não foi uma quedazinha, não foi uma escorregadela, não foi um torcer de pé ou um joelho levado ao chão como tantas vezes me acontece, graças à sempre  maravilhosa combinação saltos altos/calçada portuguesa. Não, nada disso. Foi um verdadeiro mergulho olímpico. Os pés ficaram presos numa daquelas fitas de plástico duro que se usam para atar caixotes, e o corpo foi todo projectado para a frente, tal a velocidade do passo a que eu seguia. Só não dei cabo da cara toda porque, a meio do voo, consegui meter as mãos à frente. Sei que me ouvi a soltar um enorme “ai f**-se!” assim que bati no chão, e sei que em menos de 5 segundos estava em pé, a ajeitar a roupa.

Ouvi uma voz atrás de mim a perguntar-me se estava bem, se precisava de ajuda. Era o rapazinho da oficina. Claro que eu não podia dar um trambolhão daqueles numa zona recatada, seria um desperdício. Teve mesmo de ser à porta de uma oficina cheia de gajos.  E enquanto eu olhava para as minhas mãos a sangrar, o rapazinho voltou a perguntar-me se eu estava mesmo bem, que a queda tinha sido muito grande, e eu podia ter partido alguma coisa. Desatei-me a rir. Estava aflita das mãos, do joelho, do pé, e não sabia se de mais alguma coisa, mas mantive-me firme e hirta, e a rir da minha própria figura. Disse-lhe que não precisava de nada, que estava tudo bem, agradeci, e segui direitinha para o restaurante onde me esperavam.  Pelo caminho, sentia as mãos a queimar,  o joelho a doer, o pé a latejar, mas não conseguia parar de rir sozinha.

E durante aquele curto percurso, eu percebi que sou sempre assim em todas as minhas quedas. Por mais aparatosas que sejam, por mais que me esteja a doer por dentro, eu levanto-me em 5 segundos,  digo que está tudo bem, e sigo o meu caminho a rir de mim mesma. Mais tarde, logo avalio os estragos e trato das feridas. Naquele momento, é levantar e andar.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Andar esgotada é...

.não conseguir ler mais de quatro linhas de um texto sem me esquecer completamente do que comecei a ler.

. ligar para a TMN e, assim que me atendem, esquecer-me completamente do que ia perguntar.

. mandar três mails para destinatários diferentes, e perceber que nenhum foi entregue porque escrevi mal o endereço dos três.

. sair da empresa, enfiar-me no carro para ir ao Colombo, e dar por mim a estacionar à porta de casa.

. sair de casa para ir ao supermercado, entrar no café, comprar tabaco, e voltar para casa sem ir ao supermercado.

Isto tudo na última hora e meia.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Também sei falar de tons muito fashion

Estava aqui a olhar para as minhas unhas e a tentar decidir se as vou pintar de vermelho extintor, de azul ben-u-ron, de amarelo carris, ou de rosa prepúcio.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O amor é lindo!

Tal como muitos de vocês, também sou leitora assídua do Shiuuuu, e uma das coisas a que mais acho piada naquelas caixas de comentários (e tinha muitas outras para mencionar e que dariam posts para um mês inteiro) é o típico argumento do "se gostasses não fazias", "se gostasses, resolvias", "se gostasses, perdoavas", "se gostasses, suportavas", "se gostasses, não a deixavas" e por aí fora. Ou seja, o que eu entendo daquilo tudo, é que a grande maioria acha que quem gosta realmente de alguém, deve levar com um atestado de estupidez e aguentar toda a porcaria e mais alguma alguma que possa acontecer no relacionamento. O outro é doente e envia-te 500 mensagens por dia? Oh pá, tão fofo! Não te chateies, é o amor! Ele faz figuras tristes e envergonha-te em todo o lado? Oh tadinho, é o jeito dele, ama-o muito que ele muda! Ela enfrasca-se em comprimidos e inferniza-te a vida? Oh vá lá, toma uns também e esquece lá isso!

É isto, não é? O amor deve justificar tudo, perdoar tudo, suportar tudo, levar com todo o tipo de cenas, ultrapassar tudo e mais alguma coisa porque, enfim, é assim, quando se gosta é para a vida toda, e quem bate o pé e faz valer as suas vontades, e sabe o que quer e não quer, e não está para aturar certas tretas, é porque nunca gostou realmente de ninguém. Está certo.

Então e o amor próprio, fica onde?

Ah! Esse já é relativo...


domingo, 8 de julho de 2012

Era pita, não pensava...

Se dúvidas eu tivesse de que a adolescência é uma fase um bocado parva, elas desapareceriam cada vez que me lembro de que, naquela altura, eu tinha três meses de férias, e quando chegava a meio já estava mortinha para regressar às aulas.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Elefante precisa-se

A maltinha que costuma acordar de trombas, chega ao local de trabalho de trombas, e acha que toda a gente à volta tem de levar com as trombas porque, paciência, é o que se arranja, é assim mesmo, não é defeito é feitio e os outros que se aguentem, devia era agarrar nas ditas e hospedar-se no Zoo a pedir moedas e a tocar corneta. Em tempos de crise, é um crime desperdiçar tanto talento.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Zona de conforto

Passamos anos da nossa vida a convencermo-nos de que temos de aprender a dizer não. E achamos que o difícil é começar. Temos receio de chatear os outros, de os magoar, de os melindrar. O sim é sempre mais fácil, mais impulsivo e mais simpático. Mas tem de ser, temos de aprender a dizer não, custe o que custar. E começamos, treinamos. Um não atrás do outro. E mais outro. E outro. E, às tantas, a coisa até começa a correr melhor. Que sensação de liberdade! Não, não e não! Tão fácil, afinal!
E é. Fácil e seguro. Enquanto dizemos não estamos protegidos. Estamos na nossa zona de conforto. E aí percebemos que o difícil não foi chegar lá, nem por lá ficarmos. O difícil mesmo é conseguir sair dessa zona e reaprender a dizer sim.