quarta-feira, 20 de junho de 2012

A vida (e como tudo cabe nela)

Pedi aos meus amigos facebookianos que dissessem a primeira palavra que lhes viesse à cabeça para, com elas, fazer um post. Eles escolheram, e o resultado foi este:

A minha vida tem sido uma espécie de sala de ensaio, na qual vou montando as minhas coreografias ao ritmo das músicas que vão tocando, sempre à espera do dia de subir ao palco. Por vezes, os movimentos são aleatórios, descoordenados, muitas vezes atabalhoados, como se tivesse bebido uma dose industrial de caipirinha. Outras vezes, são harmoniosos, coerentes, repetitivos até, como se de uma aliteração do corpo se tratasse. 

Nesta sala já aprendi muita coisa; por exemplo, aprendi que posso levantar os estores das janelas e deixar o sol entrar. Ao fazê-lo, sei que vou tornar o ambiente mais iluminado e alegre, o que me irá deixar mais motivada e com a esperança de um bom resultado final. Mas, por outro lado, sei que o calor irá aumentar, podendo tornar esta sala num local irrespirável, provocando um cansaço extremo que prejudicará a minha performance. Sei também que existem dias em que a dança é mais suave, os ensaios menos puxados, durante os quais consigo fazer umas quantas pausas para beber um sumo ou, calmamente, comer um gelado. Noutros, o ritmo será frenético, qual sessão de sexo desenfreado, onde o corpo já treme de tão dorido, mas a alma não consegue parar de dançar.

Também sei que, nestes dias, vou chegar a casa de rastos e vou passar a noite cheia de cãibras nas pernas. É o preço a pagar pela paixão de insistir na vida, e por não comer as bananas que todos recomendam e dizem fazer bem aos músculos. Não importa, não quero ouvir ninguém. Vai sempre haver uma Maria, um José ou um Barnabé a querer tomar conta da minha coreografia, a dar instruções, a querer sobrepor-se à minha música interior. Mas a esses, eu aplico uma qualquer dose de Quitoso, como se de meros piolhos na minha cabeça se tratassem, e sigo em frente. Claro que vou errar muitas vezes, vou dar uma volta à direita quando devia dar à esquerda, e também vou torcer o pé e estatelar-me no chão. Nessas alturas, só tenho duas hipóteses: ou morro de vergonha e enfio a cabeça num buraco como a avestruz, ou sorrio, rio-me de mim mesma, e volto à posição inicial.

Nesta sala também já aprendi a identificar o que me faz mal, e sei que devia ser mais disciplinada. Devia agarrar no maço de tabaco e deita-lo ao lixo, como tantos vícios prazenteiros que nos prendem. Sei também que, de vez em quando, devia limitar-me às bolachas e aos chazinhos, evitando assim os abusos calóricos que a vida me coloca no caminho. Mas nem sempre sou forte, e sucumbo facilmente às feijoadas e às ervilhas com ovos escalfados deste mundo.

Mesmo assim, esta sala de ensaio é o lugar onde quero estar e, se um dia chegar a subir ao palco, sei que até desses erros, dessas quedas espalhafatosas, e dessas dores no corpo, irei sentir muita saudade.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Orgulhosamente cabras

Que orgulho tão grande é esse que algumas mulheres têm em se auto intitularem como verdadeiras cabras?

"Ui que eu sou tão má, ui que eu sou lixada, ui que eu faço e aconteço, ui que eu sou mesmo cabra!"

A sério, meninas, isso é motivo para vaidade? Se eu me achasse uma cabra nalguma coisa, no mínimo ficaria caladinha de vergonha e tentaria corrigir essa falha na medida do possível. Admitir os nossos defeitos é uma coisa, vangloriarmo-nos deles como se de uma coisa espectacular se tratasse, é outra.

Um bocadinho de brio, só isso.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Oh que caraças que ninguém me deixa dormir!

Hoje acordei com o toque do telemóvel. Era a minha colega a perguntar-me o que se passava para ainda não estar na empresa àquela hora. Disse-lhe que estava a dormir e que assim iria continuar, que não me chateasse, que fizesse queixa ao patrão, ao Camões, a quem quisesse. Ela não percebeu nada e perguntou-me se eu estava a brincava. Disse-lhe que não, que estava a falar a sério, que não esperassem por mim, que se desenrascassem, que eu queria dormir. Ela , indignada, desligou, e eu virei-me para o outro lado e fechei os olhos.

Dez minutos depois ligou o meu patrão aos gritos, a perguntar-me o que se passava comigo, se eu estava louca, que eu não podia responder assim, que fosse imediatamente para a empresa e blá blá blá. Ouvi-o calmamente entre uma espreguiçadela e outra, deixei-o berrar durante cinco minutos e, assim que se calou, disse-lhe que não estava com muita pachorra para o ouvir, que se calasse, que estava cheia de sono, que ia voltar a dormir e que, da parte da tarde, quando estivesse mais desperta, ligaria para a empresa para esclarecer toda e qualquer dúvida que houvesse em relação ao meu trabalho, já que alguém iria ter de ficar com ele. Desliguei, virei-me para o outro lado e continuei a dormir.

Passados dez minutos a minha colega ligou-me novamente. Oh que caraças que ninguém me deixava dormir em paz! Lá atendi e voltei a ouvir um monte de perguntas:

“Mas tu estás bem? Estás-te a passar? O patrão está possesso, pá! “ e blá blá blá.

Voltei a dizer que queria dormir, que me deixassem em paz, que não me incomodassem, que ia desligar o telemóvel, que já me estava a irritar, que já tinha dito ao patrão que ligava da parte da tarde, que não estava com pachorra para cenas àquela hora, que me deixassem dormir sossegada. Ela desligou a chamada e eu desliguei o telemóvel. Virei-me para o outro lado e voltei a fechar os olhos.

De repente toca o alarme do telemóvel. Oh que caraças que eu não consigo dormir hoje, hein?! Olhei para as horas. Oito e meia. Sentei-me na cama meio confusa, fiquei ali uns segundos a pensar, acordei alguns neurónios até que, finalmente, caiu a ficha. Tinha estado a sonhar e não me saíu o euromilhões. E eu queria tanto ficar a dormir...

domingo, 3 de junho de 2012

R.I.R - 3º Round

A minha tour pelo Rock in Rio terminou com uma noite perfeita.

Bryan Adams é sempre Bryan Adams. Venha cá ele as vezes que vier, já nos habituou a grandes concertos, e este não foi excepção. Com o seu  eterno ar de menino rebelde, sempre a abrir, êxito atrás de êxito, nunca desilude. Muita energia, muitas recordações no ar, uma plateia ao rubro. Perfeito.

Stevie Wonder, que dizer? Atrasou-se, o público reclamou, mas valeu bem a espera. Grande senhor, grande entertainer, ganda maluco! Conseguiu em cinco minutos aquilo que o Lenny Kravitz não conseguiu no concerto inteiro: puxar pelo público de uma forma incrível e meter toda a gente a dançar que nem uns doidos. Eu, que até me estava aguentar fresquinha, fiquei de rastos. O Stevie conseguiu acabar comigo.

Grande, grande noite!

Fica assim um balanço mais que positivo destes meus três dias de Rock in Rio, dando apenas nota negativa a Lenny Kravitz – que tão depressa não me apanha noutra – e, claro, nota máxima, a rebentar a escala, para a minha banda do coração, Linkin Park. Eu disse que foi brutal, não disse?

Ainda estava tentada a ir ver o Bruce hoje, mas o bom senso venceu, e fico-me pelo meu sofá.

sábado, 2 de junho de 2012

R.I.R - 2º Round

A noite foi, indiscutivelmente, dos Maroon 5. O Adam-coisa-mais-boa-Levine ainda é mais comestível ao vivo, tem uma voz fantástica, simpático, cheio de energia, sabe meter o pessoal a mexer, grande concerto! Era para a noite toda e mais algumas.

Lenny Kravitz foi a desilusão. Depois de Maroon 5, e já com muito cansaço no corpinho, o pessoal precisava de manter o ritmo, e isso não aconteceu. O repertório foi mal escolhido, longos minutos de instrumental faziam o pessoal calar-se, sentar-se ou ir embora. A pouca ou nenhuma interacção com o público também não ajudou muito. Esperava muito mais, foi pena.

Goste-se ou não, Ivete Sangalo consegue sempre "levantar poeira" (e poeira era coisa que não faltava por lá ontem), e é óptima para nos obrigar a uma verdadeira aula de aeróbica. Depois daquilo fiquei com fome  e uma bolha no pé.

Quem também nos acompanhou "sem o pé no chão" foi a Sofia do blog Tardes de Chuva e Chocolate, com quem eu e a Margarida combinámos um bloggers date. Valeu, miúda!

Não vi os Expensive Soul porque já cheguei em cima da hora e o pessoal queria passear, mas ainda houve tempo para umas caipirinhas fresquinhas para começar a aquecer os motores.

Tal como no sábado, não tive qualquer problema com a entrada no recinto, desta vez nem sequer parada estive em filas e, apesar de ter andado muito mais a pé no fim da noite, hoje estou fresquinha para o 3ª e último round.

Por isso, mais logo, venha de lá o Bryan Adams e o Stevie Wonder para recordar os velhos tempos!

terça-feira, 29 de maio de 2012

Quanto mais alto é o vôo...

Gosto de pessoas positivas, optimistas, pessoas que tentam sempre encontrar o lado bom das coisas, mesmo quando essas coisas parecem ser uma tragédia grega. Talvez pelo facto de eu mesma ser assim. Acho sempre que, de uma forma ou de outra, no final, tudo se resolve. Mas uma coisa é ser-se positivo, outra coisa é entrar em delírio.
Hoje em dia as pessoas vivem tão mergulhadas em processos de auto ajuda que querem convencer-se que basta acreditar, basta querer, basta mandar aquele sorriso 501 para o espelho assim que acordam, que tudo é possível. E depois andam por aí com frases de algibeira na ponta da língua, sacadas de um livro qualquer à la "O Segredo", e julgam que descobriram o pote de ouro. "Agora é que é, agora é que tudo vai mudar, basta sorrir minha gente, basta acreditar, basta querer". Não, não é. Nem tudo é possível e não basta querer. E nem sei se é muito bom convencerem-se disso.
É que nós não vivemos sozinhos e nem tudo pode ser como queremos. Ser-se positivo e optimista não é achar que somos donos do mundo e que tudo conseguimos. Isso é ilusão, delírio. Ser-se positivo e optimista é, entre outras coisas, conhecer limites, os nossos e os dos outros, e acreditar que dentro desses limites há sempre uma boa solução para nós. Não é tudo, não é este mundo e o outro, é tão só e apenas o que está ao nosso alcance.

domingo, 27 de maio de 2012

R.I.R. - 1º Round

Como eu já previa, Linkin Park foi simplesmente brutal! Era menina para ir vê-los todos os meses.

Limp Bizkit e Offspring também bombaram. Os Smashing já não vi, vim embora assim que os Linkin terminaram para aproveitar a boleia do metro que encerrava à 1h, já que na próxima semana fico lá até ao fim e vou ter muito que sofrer.

A Rock Street é um espectáculo, vale mesmo a pena andar por lá. As filas para entrar nas lojas é que metem medo, mas ainda consegui lambuzar-me com uma fatia do Melhor Bolo de Chocolate do Mundo.

Tive de levar com a esganiçada da Mafalda Veiga assim que cheguei (não suporto mesmo aquela voz) e ouvir 500 vezes as mesmas músicas que vinham do Palco Millenium.

Rapei um frio do caraças, mesmo com um casaco de lã, e já nem sabia se pulava por causa da música ou para não morrer gelada.

O gajo da organização que ia ao palco falar entre concertos parecia a Bárbara Guimarães nos Globos de Ouro. Ele bem tentava ser engraçado e puxar pelo pessoal, mas ninguém lhe ligava nenhuma.

Continuo a gostar bastante de ver as meninas que vão para estas coisas de saltos altos. Acho o máximo, a sério. É lindo.

Doem-me os pés, as pernas, os rins e o pescoço, mas teria lá ficado a noite toda a ouvir Linkin Park. Já disse que foi brutal?


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Porque isto não serve só para usar chapéu

A impulsividade é uma coisa muito bonita, muito sincera, muito espontânea, muito "quem quer faz e não olha para trás", até chegarmos àquela fase em que percebemos que, afinal, pensar dez ou vinte vezes antes de fazermos alguma coisa nos dá melhores noites de sono. 
Já fui muito impulsiva. Não deixava passar tempo nenhum entre o querer e o fazer, entre o pensar e o dizer. E orgulhava-me disso, achava-me uma corajosa.

Hoje em dia, orgulho-me de conseguir deitar a cabeça na almofada e, em poucos minutos, ferrar a dormir, horas e horas seguidas.