Hoje acordei com o toque do telemóvel. Era a minha colega a perguntar-me o que se passava para ainda não estar na empresa àquela hora. Disse-lhe que estava a dormir e que assim iria continuar, que não me chateasse, que fizesse queixa ao patrão, ao Camões, a quem quisesse. Ela não percebeu nada e perguntou-me se eu estava a brincava. Disse-lhe que não, que estava a falar a sério, que não esperassem por mim, que se desenrascassem, que eu queria dormir. Ela , indignada, desligou, e eu virei-me para o outro lado e fechei os olhos.
Dez minutos depois ligou o meu patrão aos gritos, a perguntar-me o que se passava comigo, se eu estava louca, que eu não podia responder assim, que fosse imediatamente para a empresa e blá blá blá. Ouvi-o calmamente entre uma espreguiçadela e outra, deixei-o berrar durante cinco minutos e, assim que se calou, disse-lhe que não estava com muita pachorra para o ouvir, que se calasse, que estava cheia de sono, que ia voltar a dormir e que, da parte da tarde, quando estivesse mais desperta, ligaria para a empresa para esclarecer toda e qualquer dúvida que houvesse em relação ao meu trabalho, já que alguém iria ter de ficar com ele. Desliguei, virei-me para o outro lado e continuei a dormir.
Passados dez minutos a minha colega ligou-me novamente. Oh que caraças que ninguém me deixava dormir em paz! Lá atendi e voltei a ouvir um monte de perguntas:
“Mas tu estás bem? Estás-te a passar? O patrão está possesso, pá! “ e blá blá blá.
Voltei a dizer que queria dormir, que me deixassem em paz, que não me incomodassem, que ia desligar o telemóvel, que já me estava a irritar, que já tinha dito ao patrão que ligava da parte da tarde, que não estava com pachorra para cenas àquela hora, que me deixassem dormir sossegada. Ela desligou a chamada e eu desliguei o telemóvel. Virei-me para o outro lado e voltei a fechar os olhos.
De repente toca o alarme do telemóvel. Oh que caraças que eu não consigo dormir hoje, hein?! Olhei para as horas. Oito e meia. Sentei-me na cama meio confusa, fiquei ali uns segundos a pensar, acordei alguns neurónios até que, finalmente, caiu a ficha. Tinha estado a sonhar e não me saíu o euromilhões. E eu queria tanto ficar a dormir...