Gosto de pessoas positivas, optimistas, pessoas que tentam sempre encontrar o lado bom das coisas, mesmo quando essas coisas parecem ser uma tragédia grega. Talvez pelo facto de eu mesma ser assim. Acho sempre que, de uma forma ou de outra, no final, tudo se resolve. Mas uma coisa é ser-se positivo, outra coisa é entrar em delírio.
Hoje em dia as pessoas vivem tão mergulhadas em processos de auto ajuda que querem convencer-se que basta acreditar, basta querer, basta mandar aquele sorriso 501 para o espelho assim que acordam, que tudo é possível. E depois andam por aí com frases de algibeira na ponta da língua, sacadas de um livro qualquer à la "O Segredo", e julgam que descobriram o pote de ouro. "Agora é que é, agora é que tudo vai mudar, basta sorrir minha gente, basta acreditar, basta querer". Não, não é. Nem tudo é possível e não basta querer. E nem sei se é muito bom convencerem-se disso.
É que nós não vivemos sozinhos e nem tudo pode ser como queremos. Ser-se positivo e optimista não é achar que somos donos do mundo e que tudo conseguimos. Isso é ilusão, delírio. Ser-se positivo e optimista é, entre outras coisas, conhecer limites, os nossos e os dos outros, e acreditar que dentro desses limites há sempre uma boa solução para nós. Não é tudo, não é este mundo e o outro, é tão só e apenas o que está ao nosso alcance.
