domingo, 29 de janeiro de 2012

São lágrimas, senhor!

Hoje chorei. Ok, foram só duas ou três lágrimas, mas chorei. E é estranho constatar como uma coisa tão simples e banal me conseguiu surpreender tanto. Sim, eu fiquei estupidamente surpreendida comigo mesma. Cheguei a levar os dedos aos olhos para ver se era mesmo verdade. E era. Ali estavam aquelas duas ou três lágrimas perdidas a cair-me pelo rosto. Já não sabia como era. Já nem me lembrava da última vez que tinha chorado por alguma coisa. Nem porquê. E se, por um lado, isso até é bom sinal, pois significa que não tenho tido motivos para chorar, por outro, não deixa de ser preocupante, pois só demonstra que há muito perdi a capacidade de me emocionar seja com o que for. Ou achava que tinha perdido, até hoje. Sim, porque não foi de tristeza que aquelas duas ou três lágrimas caíram, foi de emoção. Ok, a coisa aconteceu ao ver uma cena numa série, mas conta na mesma, não conta?

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Loja encerrada

Cada vez menos tenho paciência para levar com os dramas dos outros. Obviamente que não me refiro a quem tem mesmo problemas graves e motivos válidos para andar a bater com a cabeça nas paredes; refiro-me sim a quem entra em histerismo porque acordou com uma borbulha na testa, ou a quem anda a chorar pelos cantos porque não recebeu aquele telefonema especial que estava à espera. A sério, não sei se isto é coisa da idade ou se é mesmo um estado de saturação sem tamanho, mas a verdade é que há pessoas que só me dão vontade de ser bruta e abana-las para ver se acordam para a vida.
Vivem mergulhadas em dramas e tragédias gregas e, pior que isso, tentam arrastar os outros com elas. Sugam-nos a paciência até ao limite, deixam-nos sem palavras, sem argumentos, fazem-nos desistir de querer ajudar, alegrar, dar uma força, dizer seja o que for. Não dá, não há pachorra. O tempo passa tão depressa e há tanta coisa boa para ser vivida! Se gostam de perder esse tempo com dramas de algibeira, pois que o façam, mas não façam os outros perder tempo a ouvir a mesma lengalenga vezes e vezes sem fim. Eu cá já fechei a loja.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Les Bons Vivants - Vamos jantar fora?

Como (quase) toda a gente sabe, eu sou uma verdadeira naba na cozinha. As minhas especialidades resumem-se a um excelente puré de batata - que não, não é de pacote! - e a um camarão frito que (dizem) é de comer e chorar por mais. De resto, fico-me pelos básicos ovos estrelados, omeletes, hambúrgueres e, de vez em quando, uns molhos improvisados para bifes. Claro que esta minha falta de jeito acabou por ser agravada pela minha adoração por restaurantes. Se eu fizer as contas, juntando as visitas à família (que implicam jantar fora) e as típicas jantaradas com os amigos, só faço comida em casa 2 vezes por semana.

Gosto de restaurantes, gosto de todo o ritual que implica ir jantar fora. Sair de casa, estar em boa companhia, com um bom vinho, boa conversa, bom ambiente e, claro, boa comida. Talvez por ter este hábito tão enraizado e já ter entrado em tantos restaurantes na vida, não é qualquer um que me conquista. Gosto de um bom serviço, de um bom ambiente e de menus especiais. Para ir a um restaurante comer aquilo que, com algum esforço, faço em casa, prefiro não ir.

Existem uns quantos restaurantes que fazem parte do meu roteiro habitual, mas estou sempre pronta a conhecer novos destinos. Talvez por isso, tenha gostado tanto da ideia da Raquel e do João, eles que se assumem como bons vivants e que apreciam, tal como eu, o prazer de uma boa refeição. Neste blog, eles irão deixar a avaliação de alguns restaurantes por onde têm passado e eu, claro, já estou atenta. Quem gosta de cozinhar, poderá também encontrar várias dicas e receitas que eles se aventuram a pôr em prática. Quem sabe, um dia destes, eu arrisco uma delas também. Por enquanto, vou seguir-lhes o rasto por esses restaurantes fora.

Tal como eles, uma bon vivant me assumo.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

É tão bom ser-se útil!

Estava ontem numa papelaria a preencher o boletim do euromilhoes, quando oiço, como já ouvi muitas vezes, uma senhora dizer que não deixaria de trabalhar mesmo que lhe saísse o primeiro prémio. Fico sempre a pensar se quem diz isto tem a verdadeira noção do que são milhões de euros ou se aquele conceito de trabalho terá algum significado extra que eu desconheço. Uma coisa são uns quantos milhares que poderão ajudar-nos a mudar muita coisa na nossa vida e dar-nos a possibilidade de investir num negócio qualquer para tentar manter a conta bancária recheada. Outra coisa são milhões, que só em juros nos permitem viver o resto da vida sem qualquer preocupação.

Normalmente, o argumento de quem diz este tipo de coisa é o de querer continuar a sentir-se útil, o não conseguir ficar sem fazer nada. Ora eu não me consigo imaginar a sentir-me uma inútil com milhões de euros numa conta, muito menos a viver sem fazer nada. Eu cá acho que seria muitíssimo útil a contribuir para o crescimento do turismo mundial, por exemplo. Teria sempre tantas malas para fazer, tanto avião para apanhar, tantas cidades para conhecer, que o difícil seria arranjar tempo para fazer nada.

Trabalhar? Claro que sim! Começava por trabalhar para o bronze 6 meses por ano e nos outros 6 trabalhava o cérebro enquanto absorvia as culturas de lugares distantes. Dedicava-me à pesca, ao mergulho, à observação dos tubarões e das baleias, à degustação de pratos exóticos, à apreciação da qualidade de hotéis e resorts, à árdua tarefa de fazer compras por esse mundo fora, e depois voltava, de tempos em tempos, para umas merecidas férias no nosso querido país à beira mar plantado. Pensando bem, seria uma vida dura, não sei se aguentaria. Acho que prefiro não ganhar nada e continuar por aqui a sentir-me verdadeiramente útil. De conta vazia, mas útil.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Não vem por catálogo

O que é isso, exactamente, de andar à procura de um amor?

Será, por exemplo, como precisar de um telemóvel novo e sair por aí à procura daquele que tem as características e funcionalidades que queremos? Vemos um, mexemos noutro, pedimos uma opinião técnica, escolhemos o modelo, a cor, analisamos os preço e pronto, está feito, é aquele. É assim? Isso funciona com sentimentos? Faz-se uma listinha dos requisitos que achamos fundamentais e vamos por aí à procura? E quando até encontramos alguém que preenche todos esses requisitos, a coisa dá-se? A bomba começa a bater automaticamente? Morre-se de amores, assim, de repente? Ou força-se a coisa com uns tests drives

Será que acordamos numa bela manha de chuva, e pensamos "agora dava-me jeito um amor, vou até ali à procura", e olhamos para todos à nossa volta como se de ratos de laboratório se tratassem?
Custa-me entender este conceito. Nunca consegui perceber o que é isso de procurar um amor. Entendo que se possa procurar uma companhia, e que se escolha aquela que mais nos agrada, mas o amor? O amor não se procura, ele acontece simplesmente. 

Ou não.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Boas Festas

Mais um Natal e mais um ano que chega ao fim. 
2011 foi um ano muito muito bom para mim, talvez o melhor dos últimos 10, 15 ou 20 anos. Foi um ano sem chatices, sem problemas, sem nada que me tirasse o sono, cheio de bons momentos, pequenas vitórias e muita, muita diversão. Não há muito mais a dizer, a não ser desejar que o próximo ano seja, no mínimo, tão bom quanto este.

Quanto a todos vocês que por aqui passam, façam o favor de ter um Feliz Natal, com tudo de bom a que têm direito, e um Excelente 2012!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Não tenho tempo

A falta de tempo é uma das desculpas mais politicamente correctas que podemos usar. Todos nós temos falta de tempo, de uma forma ou de outra, para certas coisas, mas todos nós conseguimos arranjar tempo para aquilo que queremos muito. Já saí de casa às 2 da manha, debaixo de chuva e trovoada, para estar com alguém que queria muito ver. Assim como já fizeram, várias vezes, o mesmo por mim, a altas horas e nas piores condições possíveis. Mas se a pessoa não for assim tão importante, até uma simples saída de casa num domingo à tarde pode ser um transtorno. É que é preciso arrumar a casa, é preciso ir às compras, é preciso ir lavar o carro, depois há jantar de família, e depois à noite não dá jeito nenhum porque precisamos de descansar para ir trabalhar no dia seguinte.

É tudo verdade, não há dúvida disso. Todos nós usamos o mesmo argumento, de vez em quando. Quantas vezes estamos dispostos a virar o nosso dia ao contrário para conseguirmos estar com alguém, nem que seja para um café ou um jantar? Quantas vezes estamos dispostos a abdicar do nosso tempo de descanso, das nossas horas de sono, para ir só ali e voltar? Duvido que passem a vida nisto.
Todos nós temos prioridades e nem sempre determinadas pessoas o são. E chateia-me quando algumas não entendem os sinais e passam a vida a cobrar um tempo que nem sempre lhes pertence. É tão simples de entender! Quem nunca tem tempo, é porque não quer. Não vale a pena insistir.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Minimalismo

Há uns bons anos atrás, eu tinha o hábito de utilizar agendas, filofax, blocos de notas, cadernos, post-its e tudo o que servisse para escrever tudo e mais alguma coisa. Eram calendários cheios de anotações, horários, listas de tarefas, de compras, lembretes e um sem fim de cruzinhas e bolinhas a cores garridas para chamar a atenção para o que eu considerava importante. Mas isso era no tempo em que o computador lá de casa apenas servia para jogar ao Pacman e os telemóveis eram aparelhos enormes que só os homens de negócio se davam ao luxo de carregar em malões. Era no tempo em que "estudar para o teste de Biologia na 4ªf" ou "ir ao cinema com o João no sábado" eram os momentos altos da minha tão atarefada vida de teenager.

Com os anos perdi esse hábito, e fui ganhando uma verdadeira aversão a papéis. Hoje é, para mim, impensável andar com uma agenda atrás. Não só porque as malas que gosto de usar são tão pequenas que nem uma caberia lá dentro, mas também porque o meu telemóvel acaba por me lembrar daquilo que é realmente preciso e o meu Outlook guarda os contactos, aniversários e outras datas importantes. Papéis é que não. Em minha casa dificilmente encontrarão um bloco, um caderno ou algo do género. O máximo que existe é papel para a impressora.

Tinha também, nessa altura, o hábito de guardar bilhetes de concertos, cartas, talões disto e daquilo, porcarias que não tinha coragem de deitar fora e achava que um dia iria querer relembrar. Agora não guardo nada, pois sei que são coisas que só têm importância na altura e, depois disso, só servem para ocupar espaço. Também me deixei de listas, seja de que tipo for. Guardo mentalmente aquilo que tenho de fazer e as coisas que combino. O resto, é lixo mental que só serve para cansar o cérebro. É como sobrecarregar um disco rígido com programas que achamos que nos vão ser úteis e acabamos por nunca mexer neles.

Isto fez-me perceber, ao longo dos anos, o monte de informação desnecessária que teimava em carregar. Coisas que achava importantes e, vai-se a ver, vivo muito bem sem elas. Tudo o que é demais, torna-nos pesados. E eu tornei-me minimalista. O que é importante está cá, sem agendas, sem caderninhos ou blocos, sem lixo. Só o que é fundamental. E o meu disco rígido está muito mais leve. E a minha vida também.