Em Dezembro de 2005 criei o meu primeiro blog, o "Vodkas e Caipirinhas". Foi o blog mais pessoal que tive, o menos filtrado e, sem dúvida, o que mais gozo me deu escrever. Ali não existia falta de inspiração, não existiam textos em rascunho que depois eram apagados, nem sequer havia a preocupação com o que podia ou não mostrar. Era eu, sem roupa. Provavelmente, as pessoas que o seguiram, e aquelas que acabei por conhecer nessa altura, são as que melhor conseguem entender tudo o que escrevo hoje.
A blogosfera era diferente e a minha postura perante ela também. A minha vida era uma espécie de livro aberto e eu estava sempre disponível para tudo o que fosse jantarada e eventos de bloggers. Fazendo as contas por alto, ao longo dos primeiros 4 anos, conheci para cima de 60 pessoas. Algumas delas, acompanham-me até hoje a nível pessoal. Passaram a fazer parte dos meus dias, conheceram os meus amigos, família até, e hoje, muitas vezes, já nem me lembro que são bloggers e que foi por esse motivo que os conheci. Outros foram ficando pelo caminho, ou porque não houve mais oportunidade de os voltar a encontrar, ou porque simplesmente não é suposto. Outros ainda, e apesar do pouco contacto, continuam a ser pessoas por quem guardo um enorme carinho. Sim, porque a blogosfera tem gente muito boa, gente valiosa, gente que vale mesmo a pena conhecer.
Neste últimos dois anos reservei-me mais. Deixei de alinhar nessas jantaradas, nessas saídas em massa, e passei a seleccionar mais a quem me mostro. A blogosfera mudou e com ela mudou um pouco a minha postura. A minha vida deixou de ser um livro aberto, os meus blogs foram ficando cada vez mais filtrados e eu deixei de estar disponível para qualquer pessoa. Mesmo assim, continuo a achar que ainda existe muita gente que vale a pena e são esses que, de uma forma ou de outra, eu vou deixando entrar no meu mundo real. Sim, porque eu não sou nenhum bicho do mato e gosto de conhecer pessoas, seja através dos meus amigos, no café da esquina, na discoteca ao fim-de-semana, ou aqui. Gosto de pessoas, venham elas de onde vierem.
Podia dizer que o melhor de ter um blog é escrever nele. Não é. Para isso, tenho as centenas de textos que escrevo e guardo para mim. O melhor de ter um blog é a partilha, por vezes nem tanto dos posts em si, mas das ideias, das experiências, das brincadeiras até (querido facebook!) que chegam em off. Entendo perfeitamente, e respeito, quem prefere manter uma postura fechada por trás de um blog, mas eu sou uma pessoa de laços, e gosto dos laços que aqui tenho criado. São eles que têm feito estes seis anos de blogosfera valer muito a pena.