quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ensurdece(dor)

Chamem-me de fria, insensível, ou o que mais preferirem, mas cada vez menos me comovo com os dramas dos outros, principalmente com aqueles que são constantemente gritados aos sete ventos. Pessoas que passam a vida a fazerem-se de coitadinhas, que se acham sempre mais merecedoras de tudo e mais alguma coisa porque já passaram por muito e comeram o pão que o diabo amassou, e sabem lá os outros o que é sofrer, e "ai que eu sou um vencedor porque caí e estou de pé", e esperam que os outros os tratem como se fossem heróis de cinema, só demonstram uma tremenda falta de humildade e uma péssima mania de querer chamar a atenção. Não desvalorizo os dramas em si - podem ter sido os piores, os mais difíceis, o inferno! - desvalorizo, sim, as pessoas que aproveitam toda e qualquer ocasião para se fazerem valer através deles. Também não digo que as pessoas devam sofrer em silêncio, ou esconderem do mundo as histórias tristes que têm para contar. Contem-nas sim, mas no devido contexto, e a quem realmente importa, mas não façam disso um cartão de visita para toda a gente, nem uma bandeira hasteada na varanda. De tanto gritarem as vossas dores a toda a hora, elas começam a ficar pequenas para os outros e, às tantas, já ninguém as ouve.

14 comentários:

  1. Só espero que não tenha sido uma reacção ao meu post Ana! Mas fiquei a pensar se me incluia nesse género de pessoa... Apesar das dúvidas, continuo com vontade de divulgar e explicar o que é a ansiedade, as fobias, etc e como se podem ultrapassá-las... Principalmente porque acredito que, tal como eu, poderão existir mais pessoas que por vergonha, ou por outros motivos, não se abrem com ninguém...
    De qualquer forma gostei imenso do teu comentário!
    Beijinhos,
    Sara

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    1. Não, Sara, nada a ver!:)

      O teu post não se enquadra no tipo de discurso a que me refiro. Uma coisa é expor uma situação, falar dela, explica-la, tirar dúvidas, etc. Outra coisa é usar essa mesma situação no dia-a-dia para chantagear emocionalmente os outros, para receber uma atenção especial, para que lhe façam as vontades todas ou, até mesmo, para se enaltecer perante os outros.

      Beijinhos

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  2. Ter uma vida ou uma fase sofrida nunca deveria servir para se destacarem.

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  3. ah não há mesmo pachorra para gente assim, uiii "choram-se por tudo e por nada, eles são os verdadeiros coitadinhos, e todos têm de ter pena".. há tanta gente assim, e que ganha muito com isso,o que querem é mesmo atenção, mas eu dispenso bem, comigo nao têm sorte!

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  4. Concordo plenamente contigo.Uma coisa é termos os nossos problemas e falarmos deles,outra coisa é usá-los para a vitimização, ser coitadinhos.
    Eu não gosto de rótulos.

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  5. Não, isso n é ser fria é a mais pura das verdades.
    Eu tb n me vou sensibilizar mais com um problema de alguém q passa a vida a falar nisso a toda e qq hora, mm que não faça qq sentido em determinados contextos.

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  6. Também não suporto discursos constantes de má sorte. Pessoas que se queixam por tudo e por nada, ou que se consideram vitimas só para que se tenha pena delas. Isso, para mim, não é ser fria, é ser racional.

    Beijinhos e bom Natal

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  7. Penso que, cada um, consegue - acho -, fazer uma análise dos que nos rodeia, de maneira sensata. Ora que com isto, quero escrever que, tudo o que seja demais, ou inadequado, salta logo à vista. Portanto, não se trata de se ser uma besta ou lamechas, mas coerente. :)

    Boas festas, Ana! ;)

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  8. Certíssimo. Conheci muita gente com vidas miseráveis. O que me contavam... e depois olhavam para a minha vida e o que achavam que podiam deduzir dela e diziam que eu «não sabia nada» porque tive «mais sorte».
    Descobri que quase todas essas pessoas que passaram pela minha vida afinal empalecem e encolhem diante das que foram as minhas dores.

    É tudo relativo mas sim, quem realmente passou por amarguras profundas e marcantes não faz disso um estandarte.

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