Chamem-me de fria, insensível, ou o que mais preferirem, mas cada vez menos me comovo com os dramas dos outros, principalmente com aqueles que são constantemente gritados aos sete ventos. Pessoas que passam a vida a fazerem-se de coitadinhas, que se acham sempre mais merecedoras de tudo e mais alguma coisa porque já passaram por muito e comeram o pão que o diabo amassou, e sabem lá os outros o que é sofrer, e "ai que eu sou um vencedor porque caí e estou de pé", e esperam que os outros os tratem como se fossem heróis de cinema, só demonstram uma tremenda falta de humildade e uma péssima mania de querer chamar a atenção. Não desvalorizo os dramas em si - podem ter sido os piores, os mais difíceis, o inferno! - desvalorizo, sim, as pessoas que aproveitam toda e qualquer ocasião para se fazerem valer através deles. Também não digo que as pessoas devam sofrer em silêncio, ou esconderem do mundo as histórias tristes que têm para contar. Contem-nas sim, mas no devido contexto, e a quem realmente importa, mas não façam disso um cartão de visita para toda a gente, nem uma bandeira hasteada na varanda. De tanto gritarem as vossas dores a toda a hora, elas começam a ficar pequenas para os outros e, às tantas, já ninguém as ouve.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
E no Porto, como foi? - II
Ainda tentei desmoraliza-los com uns "ah e tal, no jantar de Lisboa
tivemos direito a entradas, e havia mais bebida, e mais comida, e
chegaram quase todos a horas, e éramos muitos" e etc, etc. Mas nem
assim aquele pessoal vergou. Não estava a jogar em casa, mas senti-me
desde o primeiro minuto como se estivesse no sofá da minha sala com um
grupo de amigos de longa data. Cambada de gente espectacular, que nem me
deixou a hipótese de poder apontar um simples defeitozinho, só para eu
poder vir aqui dizer que isto de jantaradas de bloggers em Lisboa é que
é! Ainda estava à espera que o after dinner fosse uma seca, que
aquele pessoal ficasse ali encostado à parede de uma discoteca qualquer
de copo na mão, a mexer nada mais que os olhinhos, só para eu poder vir
aqui falar mal e dizer que morri de tédio, mas nem isso. Só boa
disposição, energia, e maluqueira da boa! Assim, com muita pena minha,
fico sem nada para dizer, sem poder cortar na casaca de ninguém, sem
motivos para não querer voltar.
Vocês, pessoal do norte, estragaram-me o post de escárnio e maldizer que eu queria tanto escrever.
Quando é que posso fazer a mala outra vez?
Vocês, pessoal do norte, estragaram-me o post de escárnio e maldizer que eu queria tanto escrever.
Quando é que posso fazer a mala outra vez?
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Ana
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domingo, 9 de dezembro de 2012
E no Porto, como foi? - I
Sexta-Feira
Depois de alguns percalços que atrasaram a nossa saída de Lisboa, lá parti com a Margarida rumo ao Porto. A viagem foi rapidinha e fez-se bem, mas assim que chegámos à Invicta começou a confusão. "Ah e tal, passam a ponte e depois vão sempre para a direita em direcção ao centro. Sigam as indicações do centro, sempre para a direita, depois é logo aí." Dizia-nos um dos comparsas que nos esperava para jantar. E nós lá fomos em direcção ao centro, sempre para a direita. E novamente para a direita. Mas depois já não dava para continuar a ir para a direita. E já não havia indicações a dizer "centro". Nem placas com os nomes das ruas. E parámos algumas vezes para perguntar e ninguém sabia onde era a rua que procurávamos. "Ah e tal, e dão a volta por aqui e por ali, e é logo aí". Sim, sim... não nos fossem buscar a umas bombas de gasolina quaisquer ao pé do rio e ainda hoje andávamos às voltas pelas ruas do Porto à procura do tal sitio que era "logo ali".
Depois de alguns percalços que atrasaram a nossa saída de Lisboa, lá parti com a Margarida rumo ao Porto. A viagem foi rapidinha e fez-se bem, mas assim que chegámos à Invicta começou a confusão. "Ah e tal, passam a ponte e depois vão sempre para a direita em direcção ao centro. Sigam as indicações do centro, sempre para a direita, depois é logo aí." Dizia-nos um dos comparsas que nos esperava para jantar. E nós lá fomos em direcção ao centro, sempre para a direita. E novamente para a direita. Mas depois já não dava para continuar a ir para a direita. E já não havia indicações a dizer "centro". Nem placas com os nomes das ruas. E parámos algumas vezes para perguntar e ninguém sabia onde era a rua que procurávamos. "Ah e tal, e dão a volta por aqui e por ali, e é logo aí". Sim, sim... não nos fossem buscar a umas bombas de gasolina quaisquer ao pé do rio e ainda hoje andávamos às voltas pelas ruas do Porto à procura do tal sitio que era "logo ali".
Encontrado o nosso destino, fomos fazer o check in na residencial. Assim que entrámos, demos de cara com um homem de ar sinistro, tipo filme de terror, que eu sinceramente achei que ia sacar de um facalhão quando se virou para nos dar a chave do quarto. Depois acompanhou-nos até ao 2º andar, com um sorriso meio tarado, e a arfar uma espécie de "humm, humm, humm". Largámos as coisas no quarto e saímos dali rapidamente para jantar, sem saber muito bem o que nos esperava quando voltássemos.
Jantarinho com mais dois bloggers - ele já conhecia, ela fiquei, finalmente, a conhecer - com boa comida e bom vinho, seguido de uma ida às ruas dos bares (não me perguntem que zona era aquela, que para mim aquilo era tudo igual, e eu fiquei com a sensação de que andava sempre no mesmo sítio). Muito trânsito, demasiado trânsito, trânsito por todo lado, ambulâncias, polícia, a loucura! Nunca mais reclamo do trânsito de Lisboa, juro!
De volta a residencial já de madrugada, lá estava o senhor de sorriso tarado à nossa espera, a arfar, e um outro sentado ao computador a ver sites de gajas. Trancámos a porta do quarto com várias voltas e rezámos para que não nos sacassem nenhum órgão durante a noite.
Umas horas depois, acordámos. Estávamos inteiras.
Jantarinho com mais dois bloggers - ele já conhecia, ela fiquei, finalmente, a conhecer - com boa comida e bom vinho, seguido de uma ida às ruas dos bares (não me perguntem que zona era aquela, que para mim aquilo era tudo igual, e eu fiquei com a sensação de que andava sempre no mesmo sítio). Muito trânsito, demasiado trânsito, trânsito por todo lado, ambulâncias, polícia, a loucura! Nunca mais reclamo do trânsito de Lisboa, juro!
De volta a residencial já de madrugada, lá estava o senhor de sorriso tarado à nossa espera, a arfar, e um outro sentado ao computador a ver sites de gajas. Trancámos a porta do quarto com várias voltas e rezámos para que não nos sacassem nenhum órgão durante a noite.
Umas horas depois, acordámos. Estávamos inteiras.
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Ana
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
E como foi o jantar de bloggers? - Parte II
Depois daquela noite de horror extenuante, caí na cama e fechei os olhos com muita força, na tentativa de apagar aquelas imagens da minha mente e dormir tranquilamente. Com muito esforço - já que a lembrança daquelas facas apontadas para mim ainda me assombrava - lá consegui pegar no sono. E então sonhei. Sonhei que fui a um jantar com pessoas normais, simpáticas e divertidas. Sonhei que dei umas boas gargalhadas à pála do bom sentido de humor de quem me rodeava. Sonhei que havia caras que consegui reconhecer assim que entrei, e outras que não fazia a mínima ideia de quem eram. Sonhei que comi uma açorda de marisco maravilhosa e bebi nem sei quantos copos de uma sangria ainda melhor. Sonhei que havia um presépio meio estranho no pátio do restaurante. Sonhei que cada vez que entrava e saía do restaurante para ir fumar, o empregado dizia-me "olá boa noite, como está?". Sonhei que recebi um frasco de doce de morango na troca de prendas e ainda não sei de quem veio. Sonhei que me juntei a um grupinho e acabei a noite nos Templários, a curtir ao som dos Banda Gástrica. Sonhei que tinha gostado de tudo e de todos, e que mais uma vez se confirma que estas coisas correm sempre bem.
Mas, infelizmente, foi apenas um sonho, e se alguém duvida daquilo que digo, o Jedi explica melhor.
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Ana
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domingo, 2 de dezembro de 2012
E como foi o jantar de bloggers? - Parte I
Cambada de psicopatas, gente louca, alucinada, assustadora até. Ao fim do terceiro copo de sangria já andavam despidos em cima das mesas, a atirar com os copos aos empregados, a partir cadeiras e a arrancar cabelos. Foi uma vergonha, minha gente, uma vergonha! Não fosse pela troca de prendas no final do jantar e eu tinha fugido dali de fininho. Detestei toda a gente, odiei a comida, e nem a água que passei a noite a beber se aproveitava. Ainda por cima, fiquei ao lado de pessoas que nem esboçavam um sorriso, comiam que nem uns desalmados, arrotavam alto, e apontavam-me a faca com um ar raivoso cada vez que eu pedia para me passarem a travessa da carne. Um horror, só vos digo! E depois daquilo tudo ainda queriam esticar a noite e ir para os copos. Deus me livre! Ainda aparecia esquartejada num qualquer beco de Lisboa! Saí do restaurante a correr, enfiei-me no carro, arranquei a 200 km/h, e só parei à porta de casa!
Só de pensar que no próximo fim-de-semana vou repetir a dose no Porto, até já tenho pesadelos. Pelo sim, pelo não, vou levar uma ponta e mola na mala.
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Ana
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