terça-feira, 31 de julho de 2012

É p'ra frente que atrás vem gente

Na quarta-feira passada dei um daqueles trambolhões épicos. Não foi uma quedazinha, não foi uma escorregadela, não foi um torcer de pé ou um joelho levado ao chão como tantas vezes me acontece, graças à sempre  maravilhosa combinação saltos altos/calçada portuguesa. Não, nada disso. Foi um verdadeiro mergulho olímpico. Os pés ficaram presos numa daquelas fitas de plástico duro que se usam para atar caixotes, e o corpo foi todo projectado para a frente, tal a velocidade do passo a que eu seguia. Só não dei cabo da cara toda porque, a meio do voo, consegui meter as mãos à frente. Sei que me ouvi a soltar um enorme “ai f**-se!” assim que bati no chão, e sei que em menos de 5 segundos estava em pé, a ajeitar a roupa.

Ouvi uma voz atrás de mim a perguntar-me se estava bem, se precisava de ajuda. Era o rapazinho da oficina. Claro que eu não podia dar um trambolhão daqueles numa zona recatada, seria um desperdício. Teve mesmo de ser à porta de uma oficina cheia de gajos.  E enquanto eu olhava para as minhas mãos a sangrar, o rapazinho voltou a perguntar-me se eu estava mesmo bem, que a queda tinha sido muito grande, e eu podia ter partido alguma coisa. Desatei-me a rir. Estava aflita das mãos, do joelho, do pé, e não sabia se de mais alguma coisa, mas mantive-me firme e hirta, e a rir da minha própria figura. Disse-lhe que não precisava de nada, que estava tudo bem, agradeci, e segui direitinha para o restaurante onde me esperavam.  Pelo caminho, sentia as mãos a queimar,  o joelho a doer, o pé a latejar, mas não conseguia parar de rir sozinha.

E durante aquele curto percurso, eu percebi que sou sempre assim em todas as minhas quedas. Por mais aparatosas que sejam, por mais que me esteja a doer por dentro, eu levanto-me em 5 segundos,  digo que está tudo bem, e sigo o meu caminho a rir de mim mesma. Mais tarde, logo avalio os estragos e trato das feridas. Naquele momento, é levantar e andar.

17 comentários:

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    1. Um bocadinho dorida ainda, mas tudo bem:)

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  2. Tu és um bocado desastrada não és? :P

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    1. Jedi:

      Sabes, o problema é que eu ando muito depressa. Qualquer pessoa que olhe para mim na rua vai ficar com a sensação de que eu estou sempre atrasada para qualquer coisa, porque eu ando sempre de passo apressado, mesmo que ande apenas a passear. Por exemplo, tenho uma séria dificuldade em manter-me ao lado de outras pessoas na rua, vou sempre mais adiantada. Até mesmo em casa, eu farto-me de me aleijar nos móveis porque ando sempre a correr. É hábito. E isso acaba por fazer com que eu muitas vezes nem repare nos obstáculos ou, quando reparo, já vou tão lançada que já não consigo travar:)

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  3. Eu ficaria tão vermelha, que chamariam a ambulância lol
    Espero que estejas bem
    Beijos

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  4. Eu também sou assim e rio-me mais depressa eu de mim do que as outras pessoas que às vezes não o fazem para não parecer mal. Espero que recuperes depressa

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  5. É preciso coragem para avaliar os estragos no momento da queda...
    Mas ainda bem que estás melhor...
    Beijinhos e boa recuperação!

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  6. eu não tenho assim tanto fair-play, quando é comigo!

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  7. De vez em quando também gosto de ver o chão mais de perto... :P
    Espero que estejas bem!

    Em todas as quedas devia ser sempre assim: para a frente é que é caminho. ;) Quando caio, nem sempre me levanto logo de seguida. Ás vezes fico à espera de ganhar força. Mas, mais tarde ou mais cedo, acabo por me levantar.

    Beijinho

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  8. Aí está o que eu digo, quem inventou a calçada portuguesa não deveria ser mulher e de certeza que não usava salto alto.

    Mil pétalas...

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  9. Tal como tu, ainda estou em queda livre e já me estou a levantar a grande velocidade. E rio-me imenso.
    Espero é que não tenha sido grave e que estejas bem, sem grandes estragos.
    beijinho

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  10. Gosto dessa tua atitude, és uma senhora de garra. Quanto ao malho em si, espero que não tenha feito danos. :)

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  11. Isso chama-se gostar de cair, pois levantaste ainda mais animada e feliz :P

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  12. Gostei do pensamento acerca das quedas, e espero que estejas melhor.

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  13. Ai esse orgulho!! :)
    podias ter pedido alguma coisa ao rapaz.. um pano ou água para limpar! não faz mal nenhum e tenho a certeza que não te ia pedir o nº de telefone! :)
    não há problema nenhum em pedir ajuda!!

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    1. Paulo,

      Não foi uma questão de orgulho. Se fosse preciso pedia o que tivesse de pedir (até o nº de telefone ao rapaz, se assim me apetecesse!:D). Mas estava cheia de pressa, só tinha 20 minutos para almoçar e queria mesmo era seguir caminho:)

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