Não sou a típica pessoa do "toma lá, dá cá". Acredito que simpatia gera simpatia, sim. Atenção, cuidado, mimo, são factores que nos ajudam a criar laços e a mantê-los. Quem é que não gosta de ser bem tratado? Quem é que não gosta de se sentir querido? Não acredito quando certas pessoas dizem que lhes é igual ao litro que gostem delas ou não. Claro que não agradamos a todos nem todos nos agradam, mas uma pessoa que não se sinta querida nunca, e por ninguém, acabará, com certeza, por ser uma pessoa amarga, fria e vazia.
Acredito que a troca é essencial nas relações humanas. Podemos gostar de dar, mas também gostamos de receber, mesmo que não seja na mesma moeda, na mesma medida, ou naquele mesmo exacto momento. Mas não gosto de levar isto como uma regra inquebrável, como um princípio que dite o meu comportamento perante os outros ou o que sinto por eles. Não sou pessoa de "toma lá, dá cá". Não bato o pé e faço birra só porque alguém não me dá a mesma atenção que eu lhe dou. Não sou simpática apenas para quem se derrete em sorrisos comigo. Por vezes, gosto só porque sim, e independentemente do que recebo em troca. Claro que isto não entra na esfera do ser-se maltratado ou desrespeitado. Disso não posso gostar, nem posso admitir. Mas ficar à espera que todas as pessoas por quem nutro algum tipo de simpatia me venham encher de beijinhos e abraços é, no mínimo, patético. Assim como esperarem de mim uma atenção especial só porque vão com a minha cara é, também, um bocado inútil.
Não sou a típica pessoa do "toma lá, dá cá", e quando sinto que me colocam nessa situação, demonstrando claramente uma atitude de "não brincas comigo, também não brinco contigo", então a coisa torna-se uma verdadeira perda de tempo. É que eu não faço birra como os putos mas, tal como eles, não gosto de ser obrigada a nada, mesmo que subtilmente.
