sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Boas Festas

Mais um Natal e mais um ano que chega ao fim. 
2011 foi um ano muito muito bom para mim, talvez o melhor dos últimos 10, 15 ou 20 anos. Foi um ano sem chatices, sem problemas, sem nada que me tirasse o sono, cheio de bons momentos, pequenas vitórias e muita, muita diversão. Não há muito mais a dizer, a não ser desejar que o próximo ano seja, no mínimo, tão bom quanto este.

Quanto a todos vocês que por aqui passam, façam o favor de ter um Feliz Natal, com tudo de bom a que têm direito, e um Excelente 2012!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Não tenho tempo

A falta de tempo é uma das desculpas mais politicamente correctas que podemos usar. Todos nós temos falta de tempo, de uma forma ou de outra, para certas coisas, mas todos nós conseguimos arranjar tempo para aquilo que queremos muito. Já saí de casa às 2 da manha, debaixo de chuva e trovoada, para estar com alguém que queria muito ver. Assim como já fizeram, várias vezes, o mesmo por mim, a altas horas e nas piores condições possíveis. Mas se a pessoa não for assim tão importante, até uma simples saída de casa num domingo à tarde pode ser um transtorno. É que é preciso arrumar a casa, é preciso ir às compras, é preciso ir lavar o carro, depois há jantar de família, e depois à noite não dá jeito nenhum porque precisamos de descansar para ir trabalhar no dia seguinte.

É tudo verdade, não há dúvida disso. Todos nós usamos o mesmo argumento, de vez em quando. Quantas vezes estamos dispostos a virar o nosso dia ao contrário para conseguirmos estar com alguém, nem que seja para um café ou um jantar? Quantas vezes estamos dispostos a abdicar do nosso tempo de descanso, das nossas horas de sono, para ir só ali e voltar? Duvido que passem a vida nisto.
Todos nós temos prioridades e nem sempre determinadas pessoas o são. E chateia-me quando algumas não entendem os sinais e passam a vida a cobrar um tempo que nem sempre lhes pertence. É tão simples de entender! Quem nunca tem tempo, é porque não quer. Não vale a pena insistir.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Minimalismo

Há uns bons anos atrás, eu tinha o hábito de utilizar agendas, filofax, blocos de notas, cadernos, post-its e tudo o que servisse para escrever tudo e mais alguma coisa. Eram calendários cheios de anotações, horários, listas de tarefas, de compras, lembretes e um sem fim de cruzinhas e bolinhas a cores garridas para chamar a atenção para o que eu considerava importante. Mas isso era no tempo em que o computador lá de casa apenas servia para jogar ao Pacman e os telemóveis eram aparelhos enormes que só os homens de negócio se davam ao luxo de carregar em malões. Era no tempo em que "estudar para o teste de Biologia na 4ªf" ou "ir ao cinema com o João no sábado" eram os momentos altos da minha tão atarefada vida de teenager.

Com os anos perdi esse hábito, e fui ganhando uma verdadeira aversão a papéis. Hoje é, para mim, impensável andar com uma agenda atrás. Não só porque as malas que gosto de usar são tão pequenas que nem uma caberia lá dentro, mas também porque o meu telemóvel acaba por me lembrar daquilo que é realmente preciso e o meu Outlook guarda os contactos, aniversários e outras datas importantes. Papéis é que não. Em minha casa dificilmente encontrarão um bloco, um caderno ou algo do género. O máximo que existe é papel para a impressora.

Tinha também, nessa altura, o hábito de guardar bilhetes de concertos, cartas, talões disto e daquilo, porcarias que não tinha coragem de deitar fora e achava que um dia iria querer relembrar. Agora não guardo nada, pois sei que são coisas que só têm importância na altura e, depois disso, só servem para ocupar espaço. Também me deixei de listas, seja de que tipo for. Guardo mentalmente aquilo que tenho de fazer e as coisas que combino. O resto, é lixo mental que só serve para cansar o cérebro. É como sobrecarregar um disco rígido com programas que achamos que nos vão ser úteis e acabamos por nunca mexer neles.

Isto fez-me perceber, ao longo dos anos, o monte de informação desnecessária que teimava em carregar. Coisas que achava importantes e, vai-se a ver, vivo muito bem sem elas. Tudo o que é demais, torna-nos pesados. E eu tornei-me minimalista. O que é importante está cá, sem agendas, sem caderninhos ou blocos, sem lixo. Só o que é fundamental. E o meu disco rígido está muito mais leve. E a minha vida também.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

És uma seca

Cada vez mais me convenço que sentido de humor é algo que não está ao alcance de todos. E é pena, porque se existe coisa entediante é alguém incapaz de entender ou aceitar uma piada. "Ai Jesus, credo, que o assunto é religião e com isso não se brinca!". Mas não se brinca porquê? Desde que não se falte ao respeito a ninguém, qualquer assunto pode ser tratado com sentido de humor.

Saber rir é, para mim, uma virtude, é coisa de gente minimamente inteligente, porque só uma mente tacanha não acha piada a nada e ofende-se com tudo. Não sei lidar com pessoas assim. E sinceramente, não estou muito interessada em aprender.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Seis anos

Em Dezembro de 2005 criei o meu primeiro blog, o "Vodkas e Caipirinhas". Foi o blog mais pessoal que tive, o menos filtrado e, sem dúvida, o que mais gozo me deu escrever. Ali não existia falta de inspiração, não existiam textos em rascunho que depois eram apagados, nem sequer havia a preocupação com o que podia ou não mostrar. Era eu, sem roupa. Provavelmente, as pessoas que o seguiram, e aquelas que acabei por conhecer nessa altura, são as que melhor conseguem entender tudo o que escrevo hoje.

A blogosfera era diferente e a minha postura perante ela também. A minha vida era uma espécie de livro aberto e eu estava sempre disponível para tudo o que fosse jantarada e eventos de bloggers. Fazendo as contas por alto, ao longo dos primeiros 4 anos, conheci para cima de 60 pessoas. Algumas delas, acompanham-me até hoje a nível pessoal. Passaram a fazer parte dos meus dias, conheceram os meus amigos, família até, e hoje, muitas vezes, já nem me lembro que são bloggers e que foi por esse motivo que os conheci. Outros foram ficando pelo caminho, ou porque não houve mais oportunidade de os voltar a encontrar, ou porque simplesmente não é suposto. Outros ainda, e apesar do pouco contacto, continuam a ser pessoas por quem guardo um enorme carinho. Sim, porque a blogosfera tem gente muito boa, gente valiosa, gente que vale mesmo a pena conhecer.

Neste últimos dois anos reservei-me mais. Deixei de alinhar nessas jantaradas, nessas saídas em massa, e passei a seleccionar mais a quem me mostro. A blogosfera mudou e com ela mudou um pouco a minha postura. A minha vida deixou de ser um livro aberto, os meus blogs foram ficando cada vez mais filtrados e eu deixei de estar disponível para qualquer pessoa. Mesmo assim, continuo a achar que ainda existe muita gente que vale a pena e são esses que, de uma forma ou de outra, eu vou deixando entrar no meu mundo real. Sim, porque eu não sou nenhum bicho do mato e gosto de conhecer pessoas, seja através dos meus amigos, no café da esquina, na discoteca ao fim-de-semana, ou aqui. Gosto de pessoas, venham elas de onde vierem.

Podia dizer que o melhor de ter um blog é escrever nele. Não é. Para isso, tenho as centenas de textos que escrevo e guardo para mim. O melhor de ter um blog é a partilha, por vezes nem tanto dos posts em si, mas das ideias, das experiências, das brincadeiras até (querido facebook!) que chegam em off. Entendo perfeitamente, e respeito, quem prefere manter uma postura fechada por trás de um blog, mas eu sou uma pessoa de laços, e gosto dos laços que aqui tenho criado. São eles que têm feito estes seis anos de blogosfera valer muito a pena.