Sempre me deu um gozo enorme fingir que acredito em certas tangas que me contam. As pessoas ficam com aquele ar vitorioso, de quem acabou de fazer uma grande coisa e, normalmente, a tendência é para repetirem. Quem acha que se safou na boa uma vez, acha quase sempre que se safa mais uma. E eu vou contabilizando. Muito melhor do que ver a cara de quem é confrontado com uma tanga, é ver a reacção de quem percebe, um dia, que nunca foi levado a sério.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Vou só explicar uma coisinha
Nas caixas de comentários do Blogger, existe uma opção que diz "enviar comentários posteriores para o endereço de correio electrónico X", já repararam? Essa opção permite que, após deixarmos um comentário em determinado blog, possamos receber todas os comentários seguintes no nosso mail. Ora, por um lado, isso faz com que não tenhamos de andar feitos malucos à procura dos blogs onde comentámos para ver se temos alguma resposta, assim como também faz com que tenhamos a certeza de que os outros leram os nossos comentários sem terem de lá voltar. Ou, se não leram, foi porque não quiseram, e não pelo facto de não terem conhecimento deles.
Mas, para mim, esta opção tem uma vantagem ainda mais importante: evita a descontextualização dos comentários. E o que é isso? Imaginem que eu tenho aqui um post sobre batatas. Entretanto, deixei um comentário num outro blog, num post que fala sobre a comichão provocada pelas picadas de mosquitos. Ora o pessoal vem aqui e comenta sobre as minhas batatas. Uns gostam delas cozidas, outros preferem-nas fritas, outros chamam-me nomes e dizem que eu devia era levar com as batatas na tromba, e por aí fora. Tudo certo. De repente, vem aqui alguém e diz que também sofre muito com as picadas de mosquitos e que se besunta todos os dias com vinagre para aliviar a comichão. Estão a ver a coisa? É esta a descontextualização. É esquisito, eu não gosto. Embirro mesmo, pronto. Manias.
Mas, para mim, esta opção tem uma vantagem ainda mais importante: evita a descontextualização dos comentários. E o que é isso? Imaginem que eu tenho aqui um post sobre batatas. Entretanto, deixei um comentário num outro blog, num post que fala sobre a comichão provocada pelas picadas de mosquitos. Ora o pessoal vem aqui e comenta sobre as minhas batatas. Uns gostam delas cozidas, outros preferem-nas fritas, outros chamam-me nomes e dizem que eu devia era levar com as batatas na tromba, e por aí fora. Tudo certo. De repente, vem aqui alguém e diz que também sofre muito com as picadas de mosquitos e que se besunta todos os dias com vinagre para aliviar a comichão. Estão a ver a coisa? É esta a descontextualização. É esquisito, eu não gosto. Embirro mesmo, pronto. Manias.
De modo que, e como já reparei que algumas pessoas ainda não se familiarizaram com a tal opção na caixa de comentários, resolvi dar uma ajudinha, e avisar também que todos os comentários que aqui vierem parar e que tenham a ver com assuntos debatidos noutros posts de outros blogs, não serão aprovados. E já agora, para outros assuntos que não tenham a ver directamente com qualquer post, seja deste ou de qualquer outro blog, o meu mail está à vossa disposição. Isto aqui não é a casa da Mãe Joana e eu ainda decido sobre o que se fala por cá.
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Ana
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quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Perseguição Nocturna
Um dia destes, gostava de acordar e constatar que estava a ter um sonho todo bonitinho, daqueles que nos fazem querer fechar os olhos e voltar a dormir para continuar a história. Ou então, pelo menos, um daqueles sonhos minimamente normais, nos quais encontramos a vizinha de cima, a colega de trabalho e o primo que não vemos há anos, em amena cavaqueira num local completamente fora do contexto. No fundo no fundo, o que eu queria mesmo, era sonhar com qualquer coisinha que não metesse sempre animais à mistura e, principalmente, que não me estivessem a perseguir.
Desde que me entendo por gente que os animais me perseguem enquanto durmo. E sempre em situações meio absurdas. Durante anos sonhei com um touro. Volta e meia lá andava eu a fugir, sempre a entrar e a sair de prédios, a subir e a descer escadas, a saltar janelas, com um touro enraivecido atrás de mim. Um touro ágil, por sinal, pois conseguia sempre acompanhar-me nestas corridas de obstáculos. Depois, a determinada altura, comecei a sonhar com cobras. Abria uma gaveta e saltava de lá uma cobra. Abria uma porta e lá estava a cobra pronta a atacar-me. Das torneiras, dos canos, do motor do carro, saíam sempre cobras assustadoras que se empinavam todas em sinal de ataque. Durante anos estes sonhos repetiram-se. Ora vinha de lá o touro, ora apareciam cobras por todo o lado.
Há uns tempos, foi a vez de um lagarto. Andava eu a limpar a minha casa e encontro uma travessa de arroz doce debaixo do sofá - coisa banal, portanto - e quando vou para pegar na dita travessa, começa a sair de lá um lagarto enorme (estão a ver? um lagarto enorme a sair de uma travessa de arroz doce que, por sua vez, está debaixo do sofá?) que começa a perseguir-me pela casa toda. Depois disso, já sonhei mais duas vezes com lagartos nojentos, sempre a perseguirem-me. Esta noite, foi a vez de me virar para os pássaros. Mas não foi um passarito qualquer a cantar numa gaiola ou a pousar num ramo de uma árvore. Não, foi um pássaro gigante que me picou selvaticamente as mãos e os braços enquanto eu lia uma revista sentada num telhado.
Existem teorias minimamente lógicas para isto? Terei sido responsável por algum massacre num qualquer Zoo numa outra encarnação? Ou são só mesmo neurónios completamente queimados?
Por
Ana
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terça-feira, 15 de novembro de 2011
Lição aprendida, lição esquecida
Há uns seis ou sete anos, eu e uma amiga minha, resolvemos convidar dois amigos especiais para um jantar todo xpto aqui em minha casa. Passámos a tarde toda na cozinha a tratar de todos os pormenores e a tentar deixar tudo pronto com alguma antecedência, para termos tempo de nos arranjar com calma e dar os últimos retoques na sala. Estava previsto eles chegarem por volta das nove, e eram sete e pouco quando finalmente parámos para respirar. Estava tudo perfeito, menos nós. Vestidas com roupa de andar por casa, de chinelo no pé e o cabelo a cheirar a fritos, decidimos descer para despejar o lixo e beber um cafezinho antes de saltarmos para a banheira. Foi então aí que, aquela noite que se adivinhava perfeita, rapidamente se tornou numa sufocante corrida contra o tempo.
Ao lançar o saco do lixo para o contentor, as chaves de casa que estavam na mesma mão, foram atrás, presas no atilho. Foi o terror. Já era de noite, não se conseguia ver nada para dentro do contentor, não se conseguia chegar ao saco. Estávamos na rua, todas maltrapilhas, com um jantar fantástico na cozinha e dois convidados a caminho. Fui bater à porta do meu vizinho e, depois de lhe explicar o sucedido, ele emprestou-nos uma lanterna e o cabo de uma esfregona, para que pudéssemos desviar os sacos até encontrarmos as chaves. Empoleirámo-nos no contentor e lá começámos a busca. Ela segurava na lanterna e eu desviava os sacos. Nada. Trocámos. Ela desviava os sacos e eu segurava na lanterna. Nada. Voltámos a trocar. E mais uma vez. E outra.
O tempo passava, já não aguentávamos a dor nos braços, o cabelo já não cheirava a fritos mas sim a lixo, eles deviam estar quase a chegar e nós penduradas no contentor. O meu vizinho estranhou a demora e resolveu descer para nos ajudar. A muito custo, muito sujas e cheias de arranhões por causa das porcarias que tivemos de desviar dentro do contentor, lá encontrámos as benditas chaves. Corremos para casa, tomámos banho, vestimo-nos, e às nove em ponto os nossos amigos chegaram. Estava tudo perfeito, o jantar correu lindamente, a noite não podia ser melhor, mas cada vez que olhávamos uma para a outra sabíamos o que estávamos a pensar: o cheiro do lixo não nos saía do nariz.
Desde esse dia, nunca mais segurei o saco do lixo e as chaves na mesma mão. Quer dizer, nunca mais até há duas horas atrás.
Por
Ana
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terça-feira, 1 de novembro de 2011
Doce Despedida
Fechei a porta do prédio e caminhei apressadamente pela rua. Estava atrasada e ainda tinha de ir meter gasolina. Entrei no carro, meti-o a trabalhar, e quando me preparava para arrancar, um outro carro parou em frente ao meu, bloqueando-me a saída. Fiz sinais de luzes e meti a cabeça fora da janela, já a preparar-me para reclamar, quando vi uns quantos vultos saírem do dito carro em direcção ao meu. Assustada, fechei a janela e pousei a mão em cima da buzina, por precaução. E foi nesse momento que um desses vultos bateu no vidro e disse-me educadamente “calma, não tenhas medo, estamos aqui apenas para nos despedirmos de ti”. Fiquei intrigada e abri um pouco o vidro para saber do que se tratava. “Despedirem-se de mim? Mas quem são vocês?”
Foi então que o primeiro vulto, pedindo-me que abrisse um pouco mais a janela, começou a explicar:
“Eu sou a independência, não me reconheces? Eu trouxe-te uma casa nova, um espaço só teu, um cantinho onde és dona de ti e do teu tempo, onde só entra quem tu queres, onde te escondes quando queres estar sozinha e onde te encontras quando te sentes perdida."
O segundo aproximou-se com um ar sério:
“Eu sou a prudência, e mostrei-te o que de pior existe no ser humano. Mostrei-te até onde as pessoas vão por ambição e ganância. Mostrei-te o quanto podem ser injustas e cruéis. Fiz-te tropeçar em minas e armadilhas, mas ensinei-te a sobreviver a todas elas. E no final, depois de saradas as feridas, aprendeste a ser uma pessoa muito mais prudente e cautelosa.”
O terceiro meteu-se à frente e continuou:
“Eu sou a amizade, e sei que nem sempre fui leal contigo. Coloquei pessoas erradas no teu caminho, mas ensinei-te a reconhece-las uma a uma, e dei-te a coragem para lhes virares as costas no momento certo. Por outro lado, compensei-te com algumas boas surpresas, e hoje sabes com quem podes contar.”
O quarto olhou-me nos olhos e disse baixinho:
“Eu sou a família, aquela sem a qual não serias ninguém, sou o teu porto de abrigo, a tua referência, e fiz-te perceber isso mais do que nunca.”
O quinto piscou-me o olho e sorriu:
“Eu sou a paixão, e dei-te as histórias mais ardentes que já viveste em toda a tua vida. Apresentei-te pessoas especiais e deixei-te desfrutar do melhor de cada uma delas. Dei-te momentos loucos que nunca vais esquecer. O resto, fica só entre nós.”
O sexto surgiu com um ar grave e penoso:
“Eu sou o trabalho, e tenho sido a tua cruz, a razão de todas as tuas dores de cabeça, a causa de todas as tuas irritações. Sei que sou eu que te tiro o sono e te faço ir abaixo, de vez e quando. Espero que consigas ultrapassar-me rapidamente.“
O sétimo chegou calmamente:
“Eu sou a ponderação, e ensinei-te a teres calma, a seres mais racional, a estabeleceres regras para a tua vida. Ensinei-te a não cederes a impulsos inconsequentes e a fazeres valer os teus princípios, mesmo que enfrentando, muitas vezes, a incompreensão dos outros. Ensinei-te a respeitar radares e a fazer uso do travão nos teus dias.”
O oitavo suspirou alegremente:
“Eu sou o reencontro, e dei-te a oportunidade de voltares a estar com pessoas que já não vias há muitos anos. Fiz-te recuar no tempo e recordar momentos especiais, amizades, velhas paixões até. Fiz-te reencontrar um pouco de ti mesma em cada uma dessas pessoas e mostrei-te o tamanho que cada uma delas tem na tua história”.
O nono veio sentar-se ao meu lado e, com um olhar confiante, disse:
“Sabes, eu sou a mudança, e andei sempre atrás de ti sem que desses por isso. Esperei que os outros vultos cumprissem as suas funções para que pudesses, finalmente, descobrir-me por ti mesma. E sei que o fizeste. Por isso, agora despedimo-nos de ti e passamos o testemunho a novos vultos que irão, com certeza, continuar a trazer-te muitas surpresas pela vida fora.”
Nisto, o décimo vulto interrompe, efusivamente:
“Hey pessoal, falto eu! Deixem-se lá de conversas da treta! Eu sou a melhor parte disto tudo! Eu sou a diversão, a farra, as noites bem passadas até nascer o dia, as gargalhadas, os momentos loucos sem juízo, e foi graças a mim que tiveste os melhores anos da tua vida!”
E dito isto, os 10 vultos entraram no carro, acenaram e foram embora. E eu sorri. Reconheci cada um deles. Eram os meus intas que partiam.
Por
Ana
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