terça-feira, 30 de agosto de 2011

Poesias

Não sou o tipo de pessoa que gosta de passeios românticos à beira-mar em dias chuvosos, nem tão pouco de andar a passear pelo campo a contemplar as flores e os passarinhos. Sou uma citadina pura que gosta de animação, de sair para um bom jantar, ver gente, dançar. Gosto de viver à noite, deste tipo de noite, e de todo o glamour que ela tem. Por isso, nunca me daria bem com quem não gosta da noite como eu. A minha poesia não é feita de gotas de chuva a tocarem-me no rosto ou de suaves cantorias de passarinhos a sussurrarem-me ao ouvido. A minha poesia é feita de gargalhadas tolas num animado serão, ao som de uma música que faça soltar os corpos até que o cansaço vença.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Ai se ele cai

Sempre me considerei uma pessoa acessível. Nunca me achei demasiado boa ou importante para não dar conversa a este ou àquela. Gosto de pessoas, gosto de as conhecer, de trocar ideias, de conversar sobre tudo ou sobre nada e, a par disto, gosto de me sentir à vontade para brincar e disparatar com quem tenha o mínimo de sentido de humor. No entanto, sei impor os meus limites, mesmo que de uma forma subtil. Talvez por isso nunca tenha tido grandes razões de queixa em relação a abusos ou faltas de respeito. As pessoas vão percebendo até onde podem ir comigo, e quando não percebem, eu trato de lhes explicar.
Daí não entender muito bem aquelas pessoas que empinam o nariz e se metem num pedestal, com o argumento de que não se deve dar confiança a ninguém para evitar abusos. Na minha opinião, o respeito não se impõe com arrogância, prepotência ou distanciamento. O respeito conquista-se com a forma de estar, de lidar com os outros e com os tais limites que se impõem, muitas vezes, sem ser preciso, sequer, falar neles. Sempre que vejo alguém com aquela atitude de "mas quem é que este se julga para estar a meter conversa comigo?", sinto uma espécie de pena, porque parece-me sempre estar perante alguém que não se consegue dar ao respeito, e acha que é tentanto manter-se no pedestal que o vai conseguir. O pior, é quando ele cai.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Chá de sumiço

Sabem quando vocês dizem que gostam muito de determinada série, e a partir daí há alguém que vos começa a entupir o mail, a toda a hora, com vídeos, fotos, notícias, links, bibliografias, resumos de temporadas e tudo o mais possível e imaginário sobre a dita série e respectivos actores? E quando vocês dizem que gostam de bicicletas, e depois disso há alguém que vos traz uma catrefada de revistas e catálogos, e passa a vida a falar do modelo X e do modelo Y, e do equipamento assim e assado, ao mesmo tempo que vos põe a par de todas as corridas e voltas e nomes de ciclistas desde 1900 e troca o passo? Ou então, ainda, quando vocês dizem que gostam muito de fazer o pino, e desse dia em diante há alguém que vos pede para fazer o pino todos os dias, e ainda explica as mil e uma maneiras de fazer o dito pino, e os melhores locais, e as melhores horas, as vantagens e desvantagens, causas e efeitos, virada para o sol ou virada para a lua, e ainda vos enche a cabeça com o nome de todos os campeões do pino, e da ponte e da roda, do mundo e arredores?
Pois eu sei. E acho que a partir de agora vou começar a dizer que sou fã do Copperfield e da sua capacidade de fazer desaparecer pessoas. Pode ser que alguém me explique pormenorizadamente como se faz.

Cuidado com o cão

Se eu fizer uma festa a um cão e levar uma dentada, é normal que ganhe medo, e estou no meu direito de nunca mais querer tocar em nenhum. O que já não me parece muito aceitável, é que eu desate a dizer a toda a gente "não brinques com cães porque vais ser mordido". No máximo, poderei dizer "cuidado". É que as más experiências de uns não têm de se transformar numa regra para outros. Que cada um viva com as suas amarguras e faça delas um exemplo para a sua própria vida, parece-me bem. Mas querer espalhar as mesmas amarguras por vidas alheias, mais que pretensioso, parece-me ser de um egoísmo doentio. No fundo, é o mesmo que dizer "não brinques com o cão, porque podes ter a sorte de ele não te morder, e eu não vou suportar". E não suportar a sorte dos outros, é bem capaz de doer mais que a própria dentada.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Jogo da Paciência

Ser-se lutador, insistente e persistente, só é uma coisa boa até àquele ponto em que não mexe com o orgulho e o amor próprio. Tudo o que ultrapassa essa barreira deixa de ser louvável e transforma-se numa teimosia patética. Querer vencer os outros pelo cansaço nem sempre é uma boa estratégia, até porque do outro lado pode estar alguém que há muito já saiu de campo e, vai-se a ver, está-se a jogar sozinho. Só que fazer algumas pessoas perceberem isso é igualmente uma tarefa inútil. Resta-nos esperar que, um dia, o cansaço as vença a elas mesmas.