quarta-feira, 20 de julho de 2011

Não há cá grupos

Nunca fui elitista. Nunca gostei de pertencer a grupos. Nem nunca concordei com a expressão "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és". Eu não tenho de ser obrigatoriamente as pessoas de quem gosto. E gosto de muitas pessoas diferentes umas das outras, e diferentes de mim. Nunca achei que por gostar dos amarelos não podia gostar dos roxos. Até porque nem sempre gosto das pessoas no seu todo. Por vezes, apenas gosto de partes. Partes dos amarelos e partes dos roxos. E gostar das pessoas nunca me impediu de também encontrar nelas aquilo de que não gosto. Por isso, não gosto que me metam em grupos. Gosto de ser livre para gostar de um bocadinho aqui e de outro acolá, e defender essencialmente atitudes, não pessoas.

sábado, 9 de julho de 2011

À menina do Fotolog

Quando eu tinha os meus 13, 14 anos, tinha uma amiga/colega de escola que passava a vida a pedir-me coisas emprestadas: roupa, sapatos, cintos, malas, e tudo o mais que encontrasse no meu armário cada vez que ia lá a casa. E eu, que não era capaz de dizer não, e sabendo que ela não tinha possibilidades para comprar aquelas coisas, emprestava tudo sem pestanejar. Depois, no dia seguinte,  lá ia a amiga para a escola, vestida dos pés à cabeça com coisas minhas, receber mil elogios pela camisola tão gira, e os sapatos tão fixes, e a mala tão original que trazia. Tudo bem até aqui. Eu ficava satisfeita porque a minha amiga estava satisfeita. Mas quando comecei a ouvi-la responder aos elogios com um "é não é? eu sou assim, tenho bom gosto, e comprei ali ou acolá" e outras coisas do género, comecei a não achar piadinha nenhuma àquilo. Só que eu era uma totó que ficava calada, e nem me passava pela cabeça fazer a minha amiga passar uma vergonha das grandes. E ela aproveitava-se disso, e continuava a desfilar as minhas coisas como se fossem dela.
Acontece que eu já não tenho 13 nem 14 anos, e já nem sou uma totó que se cala quando alguém decide andar por aí a desfilar o que é meu, principalmente sem dizer que é meu. E se não me calo, muito menos tenho algum problema em fazer seja quem for passar uma vergonha daquelas, se não se mancar e continuar a fazer o mesmo depois de ter sido devidamente avisada.
É que isto de ir ao armário dos outros, servir-se à grande e à francesa, não avisar e nem dar os devidos créditos, e depois andar a fazer brilharetes com o que não é seu, parece ser uma coisa muito esperta, mas só revela burrice. É que do outro lado até pode estar uma gaja porreira que encolhe os ombros e diz "que se lixe", mas até uma gaja porreira pode ter acordado com os pés de fora e não estar para aturar estas tretas de ver a sua roupinha por aí em corpos alheios.

E quem diz roupinha, diz textos.