quinta-feira, 31 de março de 2011

Para ti, para mim, para nós

Nunca vais conseguir agradar a todos. Vai haver sempre alguém que te acha uma idiota, que se ri das tuas ideias, que troça do que dizes, que te acha burra, fútil ou arrogante. Vai haver sempre alguém com um dedinho pronto para apontar na tua direcção, faças o que fizeres, e com a língua afiada e ansiosa para te derrubar com ofensas, intrigas e provocações. E vai haver sempre alguém que simplesmente te ignora, te acha desinteressante e vazia, e nem sequer perde tempo contigo.
Depois estão aqueles que te adoram, que concordam com tudo o que dizes, que acham que estás sempre certa, que te põem lá em cima com mil elogios à tua inteligência, esperteza, perspicácia e jeito para usar as palavras.  Aqueles que nunca te contrariam, que te seguem como se fosses uma espécie de religião nunca posta em causa, que te defendem com unhas e dentes e todas as armas que tiverem mais à mão, mesmo que estejas errada.
Mas nem sempre é 8 ou 80. Também há aqueles que te olham sem te encher de rótulos. Nuns dias acham-te meio disparatada, nos outros acham que acertaste em cheio. Hoje não concordam nada com a tua conversa da treta, mas amanha vão sorrir ao ler os teus pensamentos. São aqueles que te aceitam com o teu lado estúpido, porque também reconhecem o teu lado lúcido. Para esses és humana, és pessoa. Tens dias de perfeita futilidade, e dias em que pareces tocar as almas mais profundas. Não és sempre boa, nem és sempre má. És tu, e até gostam de ti assim.

Agora cabe-te a ti decidir a quem dás mais importância.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Os enjoadinhos de nariz franzido

Gostos não se discutem, é verdade. Cada um tem o direito de gostar ou não gostar daquilo que quiser, também é verdade. E eu não gosto de pessoal que nunca gosta de nada. São os típicos enjoadinhos.

"Festejar o aniversário? Ai não, é sempre um dia tão deprimente! Já não tenho paciência para apagar velinhas e beber copos com os amigos. E além disso, vou festejar o facto de estar mais velho? Vou mas é ficar em casa a pensar nos cabelos brancos que aparecem todos os dias, que isso sim faz mais sentido."

"Reveillon? Que festa tão estúpida! Então que graça é que tem ir festejar umas simples badaladas e depois andar ali a comer passas que nem uns loucos e fazer brindes a torto e a direito, e desejar bom ano aos outros e tal, quando tudo não passa de uma simples mudança no calendário?"

"Santos Populares? Deus me livre! Só gente, só confusão, e depois o cabelo fica a cheirar a sardinhas assadas, que nojo. E o pessoal armado em saloio a dançar aquelas músicas pirosas dos bailaricos. Isso é coisa para gente brega! Deus me livre!"

"Halloween? Mas isso nem é nosso! Lá estamos nós com a mania de imitar os outros, que horror! Mas porquê? Que graça é que tem o pessoal sair por aí vestido de bruxa, como se estivessemos no Carnaval?"

"Carnaval? Epá, nem me falem no Carnaval. Odeio, odeio, odeio. Andam todos armados em parvos, mascarados, como se fossem uns palhaços no circo. Mas esta gente não se toca? E depois é papelinhos e apitos por todo o lado. E a música? Um horror! Odeio samba. Nem sequer é nosso! Lá estamos nós outra vez com a mania de imitar os outros."

Para mim, são enjoadinhos. São uma seca. Não têm qualquer sentido de humor. Tudo é piroso, nada faz sentido, nada tem piada. Imagino sempre estas pessoas de testa e nariz franzido o ano inteiro, com um ar carrancudo, a olhar para os outros e a abanar a cabeça, como quem diz "cambada de histéricos". E eu olho para eles e penso "cambada de tristes". E eles estão no seu direito. E eu no meu.