Não somos aquilo que desejamos ou metemos na cabeça que vamos ser. Por mais listinhas que se façam das mudanças que queremos que aconteçam dentro de nós ou perante os outros, elas serão sempre e apenas o resultado do que a vida nos vai dando no dia-a-dia. E nada disto é programável. A nossa forma de ser, de pensar, de sentir, evolui lado a lado com as nossas próprias experiências, e são elas que vão ditar as regras do jogo. São elas que, um dia, nos fazem acordar e perceber o quanto mudámos, tenha sido ou não da forma que esperávamos.
Fazer listinhas do que queremos que mude em nós, é querer forçar um processo que tem de ser natural. Não nos tornamos mais doces só porque resolvemos passar o dia a sorrir. Não nos tornamos mais fortes só porque não queremos mais ter medo. Não vamos esquecer aquela pessoa só porque decidimos olhar para outras. Não vamos deixar de ser egoístas, ingénuos, demasiado optimistas ou impulsivos, só porque decidimos que devemos ser o contrário a partir de agora. Podemos até tentar vestir essa nova pele que tanto jeito nos dá, mas tal como uma pele que se expõe bruscamente ao sol, ela acabará por cair.
Mudamos sim, mas para onde o nosso percurso nos vai levando, dia-a-dia, passo a passo, sem listinhas nem previsoes. E quando damos por isso, encontramos dentro de nós uma pessoa que, muitas vezes, não reconhecemos, e da qual ainda não sabemos se gostamos ou não.
Bom Ano a todos!