domingo, 29 de agosto de 2010

Ah se eu pudesse...


Parece-me que anda toda a gente feliz da vida com os erros que comete. Ninguém se arrepende de nada e ninguém mudaria nada se pudesse voltar atrás. E porquê? Porque se aprendem lições, e depois disso ficamos todos pessoas melhores, mais experientes, maduras, rijas e blá, blá, blá. Pois ficamos! Mal de nós se não formos aprendendo alguma coisinha à custa da porcaria que vamos fazendo ao longo da vida. Mas eu cá preferia ficar com as lições que aprendo à custa dos erros dos outros. Os meus, se pudesse voltar atrás, e sabendo o que sei hoje, não os voltaria a cometer, que eu cá não sou masoquista e não iria querer passar novamente por certas coisas. E mudaria muita coisa, sim. Oh se mudaria! Mas eu sou parva, ou quê? Então se eu pudesse voltar atrás, não iria aproveitar aquela excelente oportunidade que deixei passar ao lado por estupidez? E não iria mudar o rumo que dei a certas coisas? E não iria fugir a sete pés de todas as coisas que me prejudicaram? E não iria dizer ou fazer o contrário de tudo aquilo que disse ou fiz e deu em trampa? 

Ah não e tal... faria tudo de novo porque assim aprendi a lição. 

Really? Só se eu fosse maluquinha.

domingo, 22 de agosto de 2010

Obviamente que não


Há uns dias fiz uma espécie de teste. Decidi publicar uma frase sobre uma determinada situação, num determinado sítio (e não, não foi no facebook, nem hi5, nem nada do género) e esperar pelas devidas reacções e comentários. Tinha quase a certeza do que iria acontecer, mas quis tirar a prova dos nove. Foi curioso constatar que as pessoas têm sempre muito a dizer sobre uma simples frase. Ninguém pára para pensar no enredo que pode estar por trás de tudo aquilo. Formam-se logo opiniões, fazem-se julgamentos - positivos ou negativos - radicais, elaboram-se teorias, tiram-se conclusões do arco-da-velha, sem que exista qualquer referência espacial ou temporal da coisa. É como se meia dúzia de palavras fosse o suficiente para que entendessem tudo. É a prova de que aquele velho ditado que diz que "para bom entendedor, meia palavra basta" nem sempre é assim tão verdadeiro.
Há quem ache que tudo é preto ou branco. Que as coisas são como são, independentemente de tudo o resto. Há quem ache que basta saber o óbvio e nem procure saber o onde, o como ou o porquê. Há quem ache que há coisas que não precisam de ser explicadas, que está lá tudo dito. E não, não está. Se eu tivesse escrito um texto em vez de uma simples frase, as reacções teriam sido outras, aposto. Mas a minha intenção era ver até onde poderia ir o julgamento precipitado dos outros e, com isso, perceber o quanto também eu já me precipitei.
Apeteceu-me argumentar, explicar e esclarecer, mas não o fiz. Deixei estar como está. E não importa o que escrevi ou onde escrevi. O que importa é deixar que tudo aquilo me vá lembrando de que nem sempre tudo é tão óbvio quanto parece.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O que não quero ser quando crescer


Existem pessoas perfeitas. Com vidas perfeitas. Tudo em redor delas é perfeito: a família, os amigos, o emprego... até o cão e o gato são melhores que os outros todos. São pessoas que têm dias perfeitos. Desde que acordam até que se deitam, tudo corre sempre às mil maravilhas, dentro do planeado e desejado. Nunca têm um imprevisto, nunca se esquecem de fazer nada, nunca sentem preguiça, nunca se atrasam. Até o sono delas é perfeito. Nunca acordam durante a noite, nunca têm insónias, nunca sentem demasiado calor ou demasiado frio e nunca acordam depois da hora necessária. Estas pessoas sabem sempre tudo, têm sempre razão, nunca erram, nunca se enganam, nunca fazem borrada, nunca dão um passo mal dado, nunca se precipitam, nunca mudam de ideias, nunca se arrependem de nada. E são espertas estas pessoas! Nunca se deixam enganar por ninguém porque sabem mais que os outros todos juntos. E têm sempre resposta para todos os problemas, e sabem sempre o que fariam no lugar dos outros, mesmo sem nunca lá terem estado ou sequer chegado perto. Estas pessoas são tão perfeitas que nem ouvem ninguém. Não precisam. Tudo o que lhes dizem elas já sabem e sabem melhor. São perfeitas, e isso basta-lhes.

Quando crescer quero ser assim. Quero deixar de ser tão imperfeita. Quero deixar de ter dúvidas em relação a coisas que não conheço. Quero deixar de não saber o que faria no lugar de tanta gente, simplesmente porque nunca lá estive e nem imagino como será estar . Quero deixar de ter dias completamente diferentes daqueles que planeei porque não tive tempo, porque não acordei a horas, porque não me apeteceu, porque tive um imprevisto, porque me desorganizei. Quero deixar de mudar de ideias só porque o que ontem achava certo, hoje acho errado. Quero deixar de me arrepender das coisas estúpidas que faço por impulso. Aliás, quero deixar de ter impulsos e de fazer coisas estúpidas. Quero deixar de me enganar, de errar e de dar passos mal dados só porque, por acaso, nunca os tinha dado antes. Mas devia saber. Sim, quero deixar de não saber tudo e quero saber mais que os outros todos juntos. Quero ser assim, perfeita. E quero ter uma vida perfeita como essas pessoas perfeitas.

Ou então, não.
Pensando bem, talvez prefira continuar a ser apenas uma pessoa.