Cada vez mais me convenço que há pessoas que gostam de sofrer. Ou se não gostam, parece que sim, tal é a rapidez com que saltam de drama em drama, sem sequer darem um tempo a elas mesmas de recuperar o fôlego. Repetem os mesmo erros vezes sem conta, iludem-se com as mesmas coisas que já tantas vezes as desiludiram e vivem num interminável sufoco.
São pessoas que vivem constantemente á procura. São aquelas que tentam curar um amor com um outro novo. São aquelas que se apaixonam á velocidade da luz e buscam em cada nova paixão a solução para todos os males que já sofreram. São aquelas que se perdem de si mesmas para se poderem procurar em alguém. E como não encontram, voltam a sofrer. E vão acumulando mágoas atrás de mágoas, culpando tudo e todos á sua volta pela sua má sorte no amor, quando quase sempre a culpa é dessa mesma busca incansável.
Assustam-me as pessoas assim. Pessoas que não dão um tempo a elas mesmas para respirarem, para se recomporem, para reverem comportamentos, para se encontrarem, sem que isso dependa da existência de outro alguém. Pessoas que vivem sempre na expectativa de chegar a algum lado e não sabem parar, de vez em quando, para apreciar a paisagem simplesmente.
São pessoas cansadas que teimam em não descansar. Lançam-se de cabeça a cada nova oportunidade, carregando consigo o peso desse cansaço. E cansam quem surge pelo caminho. E o pior, é que continuam a achar que são vítimas, que os outros é que estão sempre errados... e continuam a viver nesse ciclo vicioso, sempre á espera de encontrar alguém que as salve. Talvez, quem sabe, as coisas mudassem um bocadinho se aprendessem a salvar-se a si próprias primeiro.