segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Quem muito procura...

Cada vez mais me convenço que há pessoas que gostam de sofrer. Ou se não gostam, parece que sim, tal é a rapidez com que saltam de drama em drama, sem sequer darem um tempo a elas mesmas de recuperar o fôlego. Repetem os mesmo erros vezes sem conta, iludem-se com as mesmas coisas que já tantas vezes as desiludiram e vivem num interminável sufoco.
São pessoas que vivem constantemente á procura. São aquelas que tentam curar um amor com um outro novo. São aquelas que se apaixonam á velocidade da luz e buscam em cada nova paixão a solução para todos os males que já sofreram. São aquelas que se perdem de si mesmas para se poderem procurar em alguém. E como não encontram, voltam a sofrer. E vão acumulando mágoas atrás de mágoas, culpando tudo e todos á sua volta pela sua má sorte no amor, quando quase sempre a culpa é dessa mesma busca incansável.
Assustam-me as pessoas assim. Pessoas que não dão um tempo a elas mesmas para respirarem, para se recomporem, para reverem comportamentos, para se encontrarem, sem que isso dependa da existência de outro alguém. Pessoas que vivem sempre na expectativa de chegar a algum lado e não sabem parar, de vez em quando, para apreciar a paisagem simplesmente.
São pessoas cansadas que teimam em não descansar. Lançam-se de cabeça a cada nova oportunidade, carregando consigo o peso desse cansaço. E cansam quem surge pelo caminho. E o pior, é que continuam a achar que são vítimas, que os outros é que estão sempre errados... e continuam a viver nesse ciclo vicioso, sempre á espera de encontrar alguém que as salve.
Talvez, quem sabe, as coisas mudassem um bocadinho se aprendessem a salvar-se a si próprias primeiro.


terça-feira, 15 de setembro de 2009

Espaço

Novamente sobre este assunto...
De facto, a tendência é para exigirem cada vez mais. Exigirem a minha presença, a minha atenção, as minhas gargalhadas quando alguém diz uma piada, a minha boa disposição quando reina a boa disposição dos outros, a minha disponibilidade. Pois, lamento... mas ando indisponível.
Indisponível para o que não me apetece, para o que dá jeito aos outros, para agradar porque cai bem, para fazer porque é suposto, para dizer o que querem ouvir, para ser o que esperam de mim.
Não queiram medir o meu carinho pelas pessoas consoante as vezes que lhes telefono, que as procuro, que as chamo, que as contacto. Ficariam surpreendidos com o quão inversamente proporcional isso, por vezes, pode ser. Não tentem entender o meu estado de espírito consoante as gargalhas que dou ou a cara séria que mostro. Nem sempre uma coisa traduz a outra.
Sou aquela pessoa que precisa de espaço. De muito espaço. Sufoco facilmente, falta-me o ar. E se há momentos em que esse espaço está completamente aberto a todos os que me são queridos (e, por vezes, até aos que não o são especialmente) há também momentos em que o mesmo se encontra de portas trancadas, porque preciso dele só para mim.
Não sei viver constantemente acompanhada, confesso. Talvez por isso, quando sou obrigada a passar um dia inteiro rodeada de pessoas, de manha à noite, sem conseguir uns momentos de sossego, comece a ficar inconscientemente irritada e impaciente. E talvez por isso mesmo, precise tanto da minha rotina, onde esses momentos estão inquestionavelmente inseridos.
Há quem não entenda. Há quem me pergunte vezes sem conta se estou bem, quando quero e preciso estar sozinha e sossegada. Há quem até se ponha a lançar palpites absurdos, como que querendo arranjar uma justificação á força para algo que, para mim, é apenas uma necessidade tão natural como beber água. E há quem olhe para essa minha necessidade como uma forma de mostrar indiferença em relação aos outros.
Lamento, e repito: nem sempre as pessoas para as quais eu estou mais presente são aquelas em quem eu penso mais.
E nem peço que me entendam. Apenas que me respeitem. Ou não respeitem, mas deixem-me estar.