segunda-feira, 25 de maio de 2009

Intruso Perfumado

Está uma gaja sossegadinha, deitada no sofá, a engolir pela centésima vez os episódios de uma série já falecida, quando vê um bicho nojento entrar pela sala, todo contentinho por ter apanhado a janela aberta e a fazer um barulho capaz de me arrepiar até à raíz dos cabelos!
Ok era só um insecto. Mas para mim todos os insectos voadores são nojentos. Principalmente quando são gordos e fazem barulho. E aquele era mesmo muito gordo.
Ao mesmo tempo que dei um salto do sofá, vi-o pousar numa das paredes. Olhei à minha volta e tentei encontrar qualquer coisa que servisse para o enxotar dali para fora. Esmaga-lo estava fora de questão. Só a possibilidade de ver aquela coisa nojenta toda desfeita na minha parede branquinha causava-me mais arrepios que o próprio barulho que o bicho fazia a voar.
Peguei numa almofada e tentei enxota-lo em direcção à janela. Mas a distância entre a minha mão e o bicharoco nojento era tão curta que desisti da almofada e procurei por qualquer coisa mais comprida.
Então, fui buscar uma vassoura, mas cada vez que o enxotava o desgraçado voava à minha volta e fazia aquele barulho irritante, que a mim já soava a gargalhadas de gozo. E voltava a pousar na parede.
Fui à casa-de-banho para ir buscar uma toalha ou algo do género que lhe pudesse atirar para cima... até que olhei para o armário e fez-se luz! Desodorizante Dove! Cá vai disto!
Dei-lhe três sprayzadas nas fuças, mas o gajo ainda se mexeu. À quarta foi de vez! Dove para cima e o nojento morreu. Nem sequer teve direito a descansar em paz no meu caixote do lixo. Foi pela janela fora direitinho ao pinhal, que é de onde ele nunca devia ter saído.
Morreu perfumado e já goza!
Alguém que me lembre de comprar Dum Dum... o próximo não vai ter tanta sorte.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Quando reina a confusão...


" - Estava o peixinho, veio o gato e comeu! Mas veio o cão e o gato teve de se esconder... depois, veio o coelhinho...
- Não, não! O coelhinho vai com o Pai Natal e o Palhaço no comboio ao circo! "
Lembram-se disto?
Muitos anos depois, vendo bem as coisas, parece-me que aquele coelhinho não era nada parvo, não senhor. Isto de andar metido com peixes que se deixam comer por gatos e gatos que se escondem de cães, é uma tremenda confusão. Se aquele coelhinho tivesse ficado por ali, provavelmente teria acabado por tropeçar no gato escondido, teria sido perseguido pelo cão e nem sequer um peixe comia! Bem fez ele em dar á sola e ir curtir com o Pai Natal e o Palhaço até ao circo!
E eu pergunto:
Será que há um lugar a mais para mim nesse comboio?

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Estar lá

Sou sempre aquela que ri, que brinca, que diz uma piadinha, que dança, pula e canta a toda a hora. Sou aquela que anda sempre bem disposta e nunca se queixa de nada. Sou aquela a quem todos telefonam para desabafar, chorar as mágoas ou despejar a raiva. Sou aquela que se levanta da cama às 2 da manha, porque do outro lado da linha alguém precisa de ir arejar, espairecer ou beber uns copos para esquecer. Sou aquela a quem vêm pedir conselhos e de quem levam sempre uma palavra de incentivo. Sou aquela a quem todos dizem "tu é que fazes bem", "tu é que tens uma boa vida", "tu é que a sabes gozar", "tu é que não te chateias com nada" e etc, etc.
Para muita gente, sou uma espécie de dama de ferro, de fortaleza, a quem nada abala ou derruba.
E porquê?
Porque eu não sou aquela que pega no telefone para desabafar as mágoas ou despejar raivas. Porque eu não sou aquela que pede que a levem a arejar ou espairecer. Porque eu não sou aquela que pede conselhos ou palavras de incentivos. Porque eu, simplesmente, sou aquela que nunca ninguém vê chorar.
Estou sempre lá para quem precisa. É assim que sei ser amiga do meu amigo. Escuto, dou o ombro, dou o que posso e o que está ao meu alcance. Mas se há um dia em que estou mais ausente, se há um dia em que essa palavrinha de incentivo não sai, se há um dia em que as dores dos outros não me conseguem mover... rapidamente me apontam o dedo, me acusam de estar diferente, fria e distante. E ninguém entende que há dias em que simplesmente não posso ou não me apetece estar lá para ninguém, porque preciso de estar lá para mim mesma.