terça-feira, 28 de abril de 2009

Missing

"Quando eu tinha 20 anos, achava que a minha vida estava no auge... que tinha de viver rapidamente tudo e todas as emoções possíveis, de aproveitar cada momento como se fosse o último, de gozar em pleno os meus anos dourados, porque quando chegasse aos 30... provavelmente estaria casada, seria mãe de filhos e viveria numa rotina sem muito espaço para grandes aventuras... e seria tarde demais.

Como eu estava enganada.... "

(Vodkas e Caipirinhas -Dez'2005)

Alguém se lembra disto? Quase 4 anos depois, continua a fazer tanto sentido!
Que saudades eu tenho da Nina... por onde andará? Será que, apesar de tudo, ainda existe uma parte dela por aqui?

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Desejo

Quando chega esta altura do ano começo a ficar com água na boca só de pensar no assunto. É que é daquelas coisas que eu gosto tanto mas tanto que quando começo não consigo parar.
Já tinha andado à procura há umas semanas, mas acabei por desistir da ideia porque não encontrava nada que me enchesse as medidas. Como tem estado frio, eles ainda andavam recolhidos, murchos, sem piadinha nenhuma.
Mas o desejo aumentava...
Hoje, finalmente encontrei! Lindos, grandes, cheios!... e a chamarem por mim! Olhei para o relógio e certifiquei-me de que tinha tempo de sobra para me dedicar àquele momento delicioso, sem interrupções, sem pressas e com disponibilidade para repetir as vezes que fossem precisas. E daí a meter-lhes as mãos em cima, foi uma questão de minutinhos. Que bem que soube! Um verdadeiro néctar dos deuses!
Não resisti e tive de partir para o 2º round. Queria mais e mais! Já não conseguia parar...
Uma hora depois estava satisfeita, mas já a pensar na próxima vez! Já sei que vou passar os próximos meses a fazer isto vezes e vezes sem conta. Éque eu não consigo mesmo contrariar os meus desejos!
E hoje, matei o desejo...
... comi caracóis.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

That's My Boy

Veio parar ás minhas mãos tinha eu 18 anos. Novinho em folha, a estrear. Foi amor á primeira vista...
Desde aquele momento tornamo-nos inseparáveis. Ia comigo para todo o lado, não o conseguia largar. Levava-me à escola, ao trabalho, à praia, ao cinema. Sabia que podia contar sempre com ele, que fosse eu onde fosse, iria sempre encontra-lo ali à minha espera.
Até que um dia não encontrei. Ele simplesmente não estava lá. O coração disparou de susto e eu nem queria acreditar...
"Onde está o meu carrinho?"
Fiquei para morrer. Aquele que já era o meu companheiro de todas as horas, não estava onde eu o deixei. Foi roubado. Levaram-no.
Depois de tomadas as devidas providências, apenas me restou a esperança de o voltar a ver com vida. Foram dias de amargura, de incerteza, de desespero. Eu queria o meu carro de volta! Queria voltar a sentar-me nele, voltar a sentir aquele volante nas minhas mãos, voltar a leva-lo e a deixar que ele me levasse para onde quer que fosse. Tinha tantas saudades...
Semanas depois, lá o encontraram. E o coração disparou de alegria ao saber que estava vivo e de boa saúde. O meu carrinho estava de volta e com ele voltavam os meus dias de liberdade.
Nunca mais o perdi de vista. Nunca mais mo levaram.
Foi conhecendo todos os meus amigos, todos os meus namorados. Nele se sentaram muitas das pessoas que foram passando pela minha vida. Foi testemunha de muitas conversas, de muitas risadas e até de muitas lágrimas. Nele dormi, comi, bebi, cantei, dancei... e namorei muito.
Nunca adoeceu gravemente. Uns entorces aqui, outros acolá... nada que um dia de mimos na oficina não resolvesse. Nunca me deixou ficar mal, apenas teve algumas manhas passageiras, talvez para se vingar de pequenas infidelidades minhas ao meter-me ao volante de outros carros de tempos em tempos... mas, no fundo, sempre soube que era ele o carro da minha vida.
Hoje, 19 anos depois, ainda é.
Está velhinho, é um facto. Mas nem parece a idade que tem! Continua a gozar de boa saúde e está aí para as curvas!
Continua a acompanhar-me para todo o lado, a conhecer todos os meus amigos, todos os namorados. Continua a ser testemunha de muitas conversas, de muitas risadas e de algumas lágrimas.
Tenho a noção que já não posso abusar da sua boa vontade. Já não posso exigir dele o comportamento de um jovem forte que em tempos foi. Sei que faz os possíveis para não me desiludir, mas também sei que um dia vou ter de o deixar morrer. E tenho a certeza que quando esse dia chegar, vou chorar baba e ranho por este carro.
Até lá, continuo seguindo nele. Continuo a apostar nele para me levar onde preciso ir. Continuo a pedir-lhe que me proteja da chuva e do sol, que me leve a jantar, a dançar, ou àquele encontro especial... e que continue a ser a mais fiel testemunha do que é a minha vida.
E ele agradece-me regressando a casa sem sobressaltos, sem avarias de motor, sem furos, sem falhas eléctricas, e sempre com nota positiva a cada inspecção.
E nestas alturas, eu olho para ele com orgulho e penso:
"That's my boy"

quarta-feira, 8 de abril de 2009

P'ra quê, se não se vê??

Há pouco, estava eu no cabeleireiro à espera de ser atendida, quando oiço a esteticista perguntar a uma gaja que acabava de chegar:
"Olá menina Sónia, seja bem aparecida! Há quantos meses! O que a traz por cá?"
ao que a outra responde:
"Esteja descansada que não andei na concorrência! É que agora arranjei um namorado novo e achei melhor voltar a fazer depilação, sabe como é..."
E eu fiquei a pensar:
"Será que a menina Sónia vai aproveitar a onda do namorado novo para também cortar as unhas dos pés ou ainda vai esperar para quando calçar sandálias?"